Script = https://s1.trrsf.com/update-1790713512/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Oficina gratuita de estamparia ajuda artesãs de São Paulo a ampliar negócios e conquistar novos mercados 

Realizada pelo Ateliê 11 no programa Mãos e Mentes Paulistanas, formação ensina técnicas para valorizar produtos e gerar renda em um setor que movimenta cerca de R$ 100 bilhões por ano no Brasil

19 out 2026 - 11h16
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
Fruto de parceria entre o projeto Ateliê 11 e o programa Mãos e Mentes Paulistanas, da Prefeitura de São Paulo, uma oficina gratuita capacita 25 artesãs em técnicas de estamparia, upcycling e empreendedorismo. A formação visa agregar valor a peças manuais, estimular a economia circular e impulsionar a geração de renda em um setor que movimenta R$ 100 bilhões anuais no Brasil e é majoritariamente feminino. O projeto já qualificou 125 pessoas em quatro cidades paulistas.

Uma bermuda jeans usada, um desenho e uma nova técnica de estamparia. Foi o suficiente para a estilista Sandra Pena Gonçalves criar uma peça apresentada em um desfile de moda e experimentar novas possibilidades para o negócio que já mantém. A experiência aconteceu durante uma oficina gratuita do projeto Ateliê 11, realizada em parceria com o programa Mãos e Mentes Paulistanas, da Prefeitura de São Paulo, no Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo (CATe Central).

Oficina gratuita de estamparia ajuda artesãs de São Paulo a ampliar negócios e conquistar novos mercados 
Oficina gratuita de estamparia ajuda artesãs de São Paulo a ampliar negócios e conquistar novos mercados
Foto: Divulgação / Perfil Brasil

A iniciativa reúne 25 participantes que já atuam em diferentes atividades artesanais e buscam ampliar suas possibilidades de criação e comercialização. A formação técnica começou em 29 de setembro e tem encerramento previsto para 10 de novembro, seguida de duas aulas de empreendedorismo. Além de aprender a produzir estampas, as participantes terão acesso a conhecimentos que podem contribuir para agregar valor aos produtos, conquistar clientes e aumentar a renda.

O projeto chegou à capital depois de passar por três cidades do interior paulista e encontrou no Mãos e Mentes Paulistanas um público que já possui experiência em costura, crochê, bordado, pintura e outras atividades manuais. A proposta é incorporar a estamparia ao trabalho dessas artesãs, criando novas possibilidades de produtos e negócios.

Segundo Kizzi Kauana, coordenadora do projeto, o perfil das participantes é um dos diferenciais dessa oficina. "Muitas já têm seus próprios negócios, vendem pela internet, participam de feiras e trabalham com técnicas como costura, crochê, bordado e pintura. A estamparia chega para acrescentar novas possibilidades ao que elas já produzem, permitindo diversificar os produtos e agregar valor ao trabalho", explica.

Uma técnica que já chegou à passarela

Proprietária da Pena Atelier, Sandra trabalha há quatro anos com costura e há dois anos e meio com upcycling, prática que transforma roupas e materiais usados em novas peças. Ela participa frequentemente de desfiles de moda e feiras, além de vender suas criações por indicação de clientes. Seu trabalho inclui principalmente peças em jeans, brincos e customização de calçados.

A oficina surgiu como uma oportunidade de ampliar seu repertório. Antes mesmo do encerramento da formação, Sandra utilizou a técnica de estêncil para criar uma estampa em uma bermuda masculina apresentada em um desfile.

"Decidi fazer o curso porque vi uma oportunidade de agregar algo novo ao meu trabalho. Já consegui aplicar o que aprendi em uma peça que apresentei num desfile de moda. A estampa fez muito sucesso e o público gostou bastante", conta Sandra.

Outra participante, Juliana Sintra, proprietária da Concrecriar, fundada em 2024, trabalha com objetos decorativos em concreto. Ela comercializa seus produtos em feiras e espaços de venda, incluindo shoppings, e procurou a oficina para incorporar novos elementos às peças.

"Acredito que combinar a arte em concreto com a estamparia será um grande diferencial para o meu trabalho. Não vejo muitas pessoas que produzem peças em concreto utilizando essa técnica e quero explorar essa possibilidade", explica Juliana.

Para Juliana, aprender uma nova técnica significa ampliar as possibilidades de criação e buscar diferenciação em um mercado no qual produtos personalizados podem conquistar consumidores interessados em peças exclusivas.

Um mercado de bilhões com forte presença feminina

A aposta na qualificação de artesãs acompanha a importância econômica do setor. Estimativas divulgadas pelo Sebrae apontam que o artesanato movimenta cerca de R$ 100 bilhões por ano no Brasil, o equivalente a aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB), e gera renda para milhões de brasileiros.

A presença feminina é expressiva nesse mercado. Segundo informações divulgadas pelo Sebrae, as mulheres representam mais de 77% dos artesãos profissionais cadastrados no país, o que reforça a importância de iniciativas que associam qualificação profissional, empreendedorismo e autonomia econômica.

Criado em 2019 pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, o programa Mãos e Mentes Paulistanas atua no fortalecimento do setor artesanal e de manualidades da capital, oferecendo formação técnica e empreendedora, além de oportunidades de comercialização.

Esse é um dos diferenciais da iniciativa. Depois da qualificação, os artesãos podem participar de feiras, eventos e processos seletivos para ocupar espaços de venda em lojas e quiosques do programa instalados em centros comerciais e shoppings da cidade. Também têm acesso a ações de divulgação e outras oportunidades oferecidas pela Prefeitura.

Assim, o aprendizado não termina necessariamente na sala de aula. A formação pode abrir caminhos para que os participantes apresentem seus produtos a novos consumidores e ampliem suas atividades profissionais.

Criatividade, sustentabilidade e economia circular

Nas oficinas do Ateliê 11, as participantes aprendem técnicas de estêncil, pintura, produção de moldes, corte e acabamento. O estêncil permite reproduzir desenhos e padrões em diferentes superfícies por meio de moldes recortados, oferecendo possibilidades de personalização de roupas, tecidos, acessórios e objetos.

O processo começa com a criação de um desenho, que é transferido para o material utilizado como molde. Depois do recorte, a imagem pode ser aplicada à superfície escolhida, permitindo que cada participante desenvolva composições próprias.

O educador Eduardo Fugisse, que trabalha há cerca de cinco anos com oficinas de estamparia, explica que a técnica pode ser aprendida gradualmente, mesmo por quem nunca teve contato com esse tipo de produção.

"Todas as pessoas podem trabalhar e produzir estêncil. Não é uma técnica muito difícil, mas exige bastante atenção, principalmente na hora de fazer os recortes com estilete", explica Eduardo.

O reaproveitamento de materiais é outro aspecto importante da formação. As oficinas incorporam princípios da economia circular e do upcycling, estimulando a transformação de peças descartadas ou em desuso em produtos com novas funções e valor agregado.

Uma roupa usada, por exemplo, pode ganhar outra identidade a partir de uma intervenção artística, prolongando sua vida útil e criando uma nova possibilidade de comercialização. O mesmo princípio pode ser aplicado a acessórios, objetos decorativos e outros produtos artesanais.

Todos os materiais utilizados nas oficinas são fornecidos gratuitamente, permitindo que as participantes aprendam e experimentem as técnicas sem precisar investir na compra de equipamentos ou insumos durante a formação.

Da criação ao negócio

Depois da formação técnica, o Ateliê 11 oferece aulas de empreendedorismo, abertas também a pessoas que não participaram das oficinas de estamparia.

Nessa etapa, o foco é mostrar como transformar conhecimentos artísticos em oportunidades econômicas, abordando questões como organização da produção, formação de preços, negociação, comercialização e relacionamento com clientes.

Para Ana Silvia Forgiarini, idealizadora do Ateliê 11 e responsável pela Frida! Produtora Cultural, que há 15 anos desenvolve projetos sociais ligados à arte e à inclusão, a combinação entre formação artística e empreendedorismo é fundamental para ampliar as oportunidades das participantes.

"As aulas de empreendedorismo complementam esse percurso, estimulando as participantes a transformar os conhecimentos adquiridos em possibilidades de geração de renda", afirma.

A importância de associar formação artística e oportunidades profissionais também é destacada pelo Grupo Cury, patrocinador exclusivo do Ateliê 11. "Acreditamos que a qualificação profissional, aliada à arte, é uma ferramenta potente para gerar autonomia e novas oportunidades de renda", afirma Leonardo Mesquita, copresidente executivo da Cury.

Cinco oficinas em quatro cidades paulistas

O Ateliê 11 realizou cinco oficinas em quatro cidades do estado de São Paulo, capacitando cerca de 125 pessoas em mais de 220 horas de atividades. O projeto passou por Cerquilho, Lençóis Paulista e Nova Odessa, no interior paulista, e chegou à capital com duas formações destinadas a públicos com diferentes perfis e experiências profissionais.

Além da turma do Mãos e Mentes Paulistanas, realizou uma formação no Centro de Referência LGBTI+ Brunna Valin, na região central, destinada principalmente a mulheres cis e trans em situação de vulnerabilidade social.

As duas experiências mostram diferentes possibilidades de aplicação do mesmo conhecimento. Enquanto no Brunna Valin a formação representa uma oportunidade de aprender uma atividade que pode abrir caminhos para a inserção profissional, no CATe Central a proposta é acrescentar novas técnicas ao trabalho de pessoas que já empreendem.

A iniciativa é viabilizada pelo Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais (PROMAC), realizada pela Frida! Produtora Cultural e conta com patrocínio exclusivo do Grupo Cury.

Local da oficina

Programa Mãos e Mentes Paulistanas / CATe Central

Endereço: Rua Álvares Penteado, 203, Centro, São Paulo/SP.

Formação técnica: de 29 de setembro a 10 de novembro de 2026, seguida de duas aulas de empreendedorismo.

Perfil Brasil
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra