O que são tarifas, como as implantadas pelos EUA sobre produtos de China, Canadá e México
Impactos das tarifas esperados por Trump são questionados por economistas tradicionais, que alegam se tratar de uma forma ineficiente de arrecadar receita para o governo
Tarifas são impostos sobre mercadorias importadas. Geralmente são cobradas como uma porcentagem do preço que um comprador paga a um vendedor estrangeiro. Nos Estados Unidos, as tarifas são coletadas por agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras em 328 portos de entrada pelo país.
As taxas de tarifas nos EUA variam: por exemplo, são geralmente de 2,5% sobre carros de passageiros e 6% sobre sapatos de golfe. Tarifas podem ser menores para países com os quais os EUA têm acordos comerciais. Antes de os EUA começarem a impor tarifas de 25% sobre produtos do Canadá e do México, a maioria das mercadorias circulava entre os três países sem tarifas, devido ao Acordo EUA-México-Canadá, firmado pelo então presidente Donald Trump.
Economistas tradicionais são, em geral, céticos em relação às tarifas, pois as consideram uma forma ineficiente de arrecadar receita para o governo.
Há muita desinformação sobre quem realmente paga as tarifas
Trump defende as tarifas, insistindo que são pagas por países estrangeiros. Na realidade, são as empresas importadoras americanas que pagam as tarifas, e o dinheiro vai para o Tesouro dos EUA. Essas empresas normalmente repassam os custos adicionais aos consumidores na forma de preços mais altos. Por isso, economistas dizem que os consumidores geralmente acabam arcando com o custo das tarifas.
Ainda assim, as tarifas podem prejudicar países estrangeiros, tornando seus produtos mais caros e difíceis de vender no exterior. Empresas estrangeiras podem ter que reduzir preços e sacrificar lucros para compensar as tarifas e tentar manter sua participação no mercado dos EUA.
Um estudo do economista Yang Zhou, da Universidade Fudan, em Xangai, concluiu que as tarifas impostas por Trump sobre produtos chineses causaram mais de três vezes mais danos à economia chinesa do que à economia dos EUA.
O que Trump disse sobre tarifas?
Trump afirmou que as tarifas criam mais empregos na indústria, reduzem o déficit federal, diminuem os preços dos alimentos e permitem que o governo subsidie o cuidado infantil.
"As tarifas são a melhor coisa já inventada", disse Trump em um comício em Flint, Michigan, durante sua campanha presidencial. Durante seu primeiro mandato, ele impôs tarifas de forma agressiva, atingindo painéis solares, aço, alumínio e praticamente todos os produtos da China. Ele até se autodenominou "Tariff Man" ("Homem da Tarifa").
Trump continua defendendo tarifas mais altas em seu segundo mandato. Nos últimos anos, os EUA têm gradualmente se afastado de seu papel pós-Segunda Guerra Mundial de promover o livre comércio global e a redução de tarifas. Isso ocorre, em parte, como resposta à perda de empregos industriais nos EUA, amplamente atribuída ao comércio irrestrito e à ascensão da China como potência manufatureira.
As tarifas são, principalmente, uma forma de proteger indústrias nacionais
Ao aumentar o preço das importações, as tarifas podem proteger fabricantes locais. Elas também podem servir para punir países estrangeiros por práticas comerciais desleais, como subsidiar seus exportadores ou vender produtos a preços injustamente baixos.
Antes do estabelecimento do imposto de renda federal, em 1913, as tarifas eram uma grande fonte de receita para o governo. Entre 1790 e 1860, elas representavam 90% da receita federal, de acordo com Douglas Irwin, economista do Dartmouth College.
Após a Segunda Guerra Mundial, as tarifas perderam popularidade à medida que o comércio global cresceu e o governo precisou de receitas muito maiores para financiar suas operações. No ano fiscal encerrado em 30 de setembro, o governo arrecadou cerca de US$ 80 bilhões em tarifas e taxas, um valor pequeno em comparação aos US$ 2,5 trilhões arrecadados com impostos sobre a renda individual e os US$ 1,7 trilhão arrecadados com impostos da Previdência Social e do Medicare.
Ainda assim, Trump defende uma política orçamentária semelhante à do século XIX.
As tarifas também podem ser usadas como pressão sobre outros países
As tarifas podem ser usadas para pressionar países em questões que podem ou não estar relacionadas ao comércio. Em 2019, por exemplo, Trump ameaçou impor tarifas ao México para forçá-lo a conter a imigração ilegal de centro-americanos que atravessavam seu território rumo aos EUA.
Trump também acredita que as tarifas podem evitar guerras. "Eu posso fazer isso com um telefonema", disse ele em um comício na Carolina do Norte. Se outro país tentar iniciar uma guerra, ele ameaçaria: "Vamos cobrar tarifas de 100%". Segundo Trump, isso levaria os líderes estrangeiros a recuar e evitar conflitos.
Economistas geralmente consideram as tarifas contraproducentes
As tarifas aumentam os custos para empresas e consumidores que dependem de importações. Além disso, frequentemente provocam retaliação.
A União Europeia, por exemplo, reagiu às tarifas de Trump sobre aço e alumínio taxando produtos americanos, como bourbon e motocicletas Harley-Davidson. Da mesma forma, a China respondeu à guerra comercial de Trump impondo tarifas sobre produtos dos EUA, incluindo soja e carne suína, em um esforço calculado para prejudicar seus apoiadores no meio rural.
Um estudo de economistas do MIT, da Universidade de Zurique, de Harvard e do Banco Mundial concluiu que as tarifas de Trump falharam em restaurar empregos na indústria americana. O estudo revelou que as tarifas "não aumentaram nem reduziram o emprego nos EUA" nos setores que deveriam ser protegidos.
Mesmo após Trump impor tarifas sobre o aço importado em 2018, o número de empregos em siderúrgicas americanas permaneceu praticamente o mesmo, em cerca de 140.000 postos de trabalho. Para comparação, o Walmart emprega 1,6 milhão de pessoas nos EUA.
Pior ainda, os impostos retaliatórios impostos pela China e por outros países sobre produtos americanos tiveram "impactos negativos no emprego", especialmente para os agricultores. Esses impostos foram parcialmente compensados por bilhões de dólares em auxílios governamentais concedidos por Trump aos fazendeiros.
As tarifas também prejudicaram empresas que dependiam de importações. No entanto, embora a guerra comercial de Trump tenha falhado como política econômica, ela teve sucesso como estratégia política. O estudo descobriu que o apoio a Trump e aos candidatos republicanos ao Congresso aumentou nas regiões mais afetadas pelas tarifas — especialmente no Meio-Oeste industrial e nos estados do Sul, como Carolina do Norte e Tennessee./AP