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O que esperar de 2020 na economia

Analistas mostram nessa série de artigos que, apesar dos avanços conseguidos este ano, houve muitas promessas frustradas e ainda há um longo caminho a se percorrer para que o País retome o crescimento sustentável

29 dez 2019
05h11
atualizado às 10h44
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O ano que se encerra trouxe inegáveis avanços do ponto de vista econômico para o País. Depois de mais de 20 anos de discussões, a reforma da Previdência foi, enfim, aprovada, trazendo perspectivas melhores para as contas públicas nos próximos anos. A inflação se manteve em níveis bastante comportados e a taxa de juros fecha o ano em 4,5%, patamar inimaginável há bem pouco tempo. Além disso, os indicadores econômicos divulgados nos últimos meses apontam para uma aceleração da recuperação da atividade econômica - algo fundamental para que seja possível minimizar uma das nossas maiores mazelas atualmente, a ainda alta taxa de desemprego.

Mas também houve muita frustração. A começar pelo próprio crescimento econômico, estimado em janeiro pelos economistas em algo em torno de 2,5%, mas que deve ficar mesmo pouco acima de 1%. Muitas promessas ficaram para trás, como lembram os especialistas que discutem, nessa edição especial, os percalços que o Brasil terá de enfrentar no próximo ano para conseguir engatar, enfim, uma retomada sustentável.

Para a economista Elena Landau, a prometida privatização ampla, geral e irrestrita tantas vezes prometida pelo governo acabou, neste ano, se resumindo a uma política de venda de subsidiárias de estatais. "Se Bolsonaro não abraçar a privatização, serão mais três anos de vendas no varejo", afirma.

Já a economista Zeina Latif lembra da importância da reforma tributária, cujo projeto o governo nem ao menos enviou ao Congresso neste ano. "Os empresários deveriam se unir em favor de reformas do sistema tributário, mas é difícil isso acontecer, pois há muitos interesses conflitantes", afirma. A reforma administrativa, outra promessa do Planalto, também ficou para começar a ser discutida em 2020.

O problema, como lembra o cientista político Carlos Melo, é que o próximo ano, de eleições municipais, deve trazer um Congresso menos produtivo, com parlamentares mais preocupados com as disputas em suas bases. Discussões importantes talvez tenham ainda menos espaço. Mas, segundo Barry Eichengreen, professor da Universidade da Califórnia, é o rumo das reformas que vai definir se o investidor estrangeiro virá ou não para o Brasil. Sem dúvida, será um ano cheio de desafios.

Confira, artigo por artigo, esta série especial que mostra os avanços já obtidos e o que ainda precisa ser feito para a retomada do crescimento econômico sustentável do País.

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Estadão
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