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O que dá à produção sonora brasileira potencial para influenciar o mundo?

Produtora Yeti Sounds mobiliza conexões regionais e parceria em Nova York para integrar o áudio desde as primeiras etapas da publicidade.

5 nov 2026 - 16h31
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Resumo
A produtora Yeti Sounds aposta na valorização das raízes culturais e na colaboração com artistas regionais para evitar clichês e criar identidades sonoras autênticas na publicidade. Liderada por Murilo Faria e Yuri Chix, a empresa defende a inclusão estratégica do áudio desde o início dos projetos e combina ritmos tradicionais brasileiros a influências globais. Em resposta à padronização e ao avanço da inteligência artificial, o diferencial reside na vivência autoral e na singularidade cultural.
O que dá à produção sonora brasileira potencial para influenciar o mundo?
O que dá à produção sonora brasileira potencial para influenciar o mundo?
Foto: The Music Journal

O alcance global dos ritmos brasileiros nos palcos e plataformas digitais nem sempre se reflete de forma autêntica no mercado publicitário. Diante do desafio de fugir de clichês e aprofundar narrativas de marcas, a produtora musical Yeti Sounds tem defendido o envolvimento de artistas locais e a valorização das raízes culturais para a concepção de identidades sonoras.

A vivência regional contra fórmulas genéricas

Criada pelos produtores Murilo "Mura" Faria e Yuri Chix, a empresa estrutura uma rede de parceiros em quase todos os estados do país para assegurar que as criações respeitem as origens de cada manifestação sonora. Um exemplo dessa prática ocorreu na trilha da campanha "Sorriso da Meia-Noite", voltada ao retorno do creme dental Sorriso Juá e Hortelã no Nordeste com a presença do Homem da Meia-Noite, calunga tradicional do carnaval de Olinda.

Para o projeto, a produtora convocou o músico recifense Diogo Felipe para assinar o frevo da ação.

"Pesquisar uma referência musical não é o mesmo que conhecer a cultura de onde ela vem. Quando um projeto envolve uma linguagem específica, contar com músicos que vivem essa realidade faz diferença. É essa proximidade que ajuda a evitar representações genéricas e a construir uma sonoridade que faça sentido dentro da narrativa da campanha", explica Murilo "Mura" Faria.

Estratégia antecipada e conexões globais

Além da imersão nas tradições nacionais, a Yeti Sounds expande seu repertório com sonoridades internacionais, como cantos de garganta da Mongólia, música experimental da Islândia e cadências dos Bwiti, do Gabão. Em iniciativas de sonic branding e projetos sob medida, a produtora atua em conjunto com a nova-iorquina You Too Can Woo, posicionando a sonoridade brasileira como agente de criação e não mera consumidora de tendências.

Outro pilar desse modelo de trabalho é a inserção precoce do áudio nas decisões das agências, durante as reuniões de pré-produção (PPMs), associando dados qualitativos e quantitativos ao processo criativo.

"O áudio não deveria entrar apenas para resolver uma necessidade no final da criação. Quando participa das primeiras conversas, consegue influenciar o caminho do projeto e contribuir para a maneira como uma marca se expressa. Isso muda a relação da música com a campanha: ela deixa de ser apenas um complemento e passa a fazer parte da construção da ideia", pontua Yuri Chix.

Bagagem autoral e o impacto da tecnologia

A condução da produtora reflete a trajetória de seus líderes no mercado e no cenário autoral. Murilo "Mura" Faria foi fundador da Evil Twin Music, onde permaneceu por dez anos, atua no projeto solo Heal Mura e integra como cofundador, tecladista e produtor o grupo Aldo, The Band, que realizou a abertura da apresentação do Radiohead no Brasil em 2018.

Já Yuri Chix acumula mais de 15 anos no setor de som para publicidade e desenvolve carreira internacional com o projeto Database, liderando um time focado em audiovisual e propaganda.

Em um momento no qual a inteligência artificial reproduz estilos com rapidez, a produtora avalia que a singularidade cultural atua como elemento decisivo para marcas. Para a Yeti Sounds, embora ferramentas tecnológicas multipliquem os recursos técnicos, a bagagem de repertório e o trabalho colaborativo com músicos garantem autenticidade frente à padronização das trilhas.

The Music Journal The Music Journal Brazil
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