Lula reúne ministros e economistas para debater pauta econômica, mas anúncio de medidas fica para depois
O presidente Lula reuniu ministros e economistas para debater a agenda econômica após o Banco Central pausar os cortes de juros. Sob cobranças do mercado pela sustentabilidade fiscal, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a equipe vai afunilar propostas para reforçar regras vigentes e melhorar resultados primários. Contudo, o anúncio oficial das medidas só ocorrerá após o retorno de Lula de viagens internacionais à Turquia e Filipinas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta quinta-feira com autoridades e conselheiros para debater agenda econômica e pediu que seus ministros afunilem medidas para serem validadas apenas após viagem do petista ao exterior, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
A reunião ocorreu um dia após o Banco Central interromper o ciclo de cortes de juros e em meio a incertezas sobre o futuro da equipe econômica e da política fiscal de Lula depois de sua reeleição, o que tem provocado turbulência em indicadores e cobranças de agentes do mercado e economistas.
"A gente vai trabalhar com método, o ministro Bruno Moretti (do Planejamento e Orçamento) e eu, para que a gente afunile, enderece eventuais medidas... para a gente apresentar isso no retorno do presidente da viagem", disse Durigan a jornalistas após o encontro.
Lula irá à Turquia para participar da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), na cidade de Antália. Depois, ainda segue para as Filipinas, para a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), marcada para os dias 15 a 17 de novembro.
Durigan reafirmou que o plano de Lula pressupõe compromisso com a sustentabilidade das contas públicas, melhora progressiva de resultados primários e possíveis ajustes em regras fiscais. Ele ponderou que medidas específicas não foram discutidas no encontro.
"Reforço o nosso compromisso de seguir avançando e melhorando o resultado primário do país, que vai ser melhor a cada ano nesses próximos quatro anos", afirmou.
"Estamos necessariamente falando em reforçar as regras vigentes hoje", acrescentou.
O encontro, no Palácio da Alvorada, teve entre os convidados o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, da Casa Civil, Miriam Belchior, e da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck.
A lista incluiu ainda o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o ex-presidente do banco de fomento Luciano Coutinho e os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi convidado para o encontro, segundo uma fonte do governo, mas não participou, tendo viajado a São Paulo.
Em entrevista mais cedo nesta quinta, Durigan afirmou que Lula deve se esforçar em seu quarto mandato para dar os "corretos estímulos" para uma redução da taxa de juros.
"O esforço que nós temos que fazer no governo Lula 4 é dar as condições corretas, estruturais, os corretos estímulos, para que a gente reduza a taxa de juros", disse.
Perguntado sobre a decisão da véspera do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, de manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano, Durigan disse que não faria "comentários valorativos" sobre a decisão, mas disse que a taxa de juros no Brasil é alta e que isso prejudica todos os setores da economia.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.