Dólar fecha em alta ante real com pressão externa e de olho em política econômica
O dólar subiu 0,67% nesta quinta-feira, cotado a R$ 5,4876, impulsionado pela aversão global ao risco e por incertezas fiscais no Brasil. No exterior, a queda nas ações de tecnologia dos EUA e a alta do petróleo ditaram o pessimismo. No cenário doméstico, investidores demonstraram cautela diante da indefinição da agenda econômica do presidente Lula e repercutiram a decisão do Banco Central de manter a Selic em 13,75% ao ano, somada a uma queda de 0,8% na produção industrial brasileira em setembro.
O dólar encerrou a quinta-feira em alta contra o real, refletindo o ambiente de maior aversão ao risco que tomou conta dos mercados globais, somado à cautela dos investidores locais em relação aos rumos da política econômica no novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,67%, a R$5,4876.
Às 17h40, o dólar futuro para dezembro subia 0,60% na B3, aos R$5,5190.
O mau humor externo partiu do mercado acionário dos Estados Unidos, onde ações ligadas a inteligência artificial registraram quedas expressivas diante de temores de um maior escrutínio sobre a expansão do setor com a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos EUA, além do avanço do petróleo no pregão desta quinta-feira.
Ao final do dia, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,09%, a 101,560.
"Com receio de perdas maiores, investidores passaram a reduzir posições em ativos de risco, incluindo moedas de países emergentes, e buscar proteção no dólar. No Brasil, esse movimento ganhou força porque o mercado também está preocupado com a situação fiscal do país", disse Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com autoridades e conselheiros para debater agenda econômica e pediu que seus ministros afunilem medidas para serem validadas apenas após viagem do petista ao exterior, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
O encontro aconteceu um dia após o Banco Central interromper o ciclo de cortes de juros, mantendo a Selic em 13,75% ao ano, e em meio a incertezas sobre o futuro da equipe econômica e da política fiscal de Lula depois de sua reeleição, o que tem provocado turbulência em indicadores e cobranças de agentes do mercado e economistas.
Durigan reafirmou que o plano de Lula pressupõe compromisso com a sustentabilidade das contas públicas, melhora progressiva de resultados primários e possíveis ajustes em regras fiscais. Ele ponderou que medidas específicas não foram discutidas no encontro.
Ainda na agenda doméstica, mas em segundo plano, os agentes também avaliaram dados econômicos. Pela manhã, foi divulgado que a produção industrial no Brasil teve queda de 0,8% em setembro em comparação com o mês anterior. A expectativa em pesquisa da Reuters com analistas era de retração de 0,2% no dado mensal. Esse foi o resultado mais fraco para meses de setembro desde 2022.
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