O herdeiro da Hermés, que adotou seu jardineiro, fez de novo: sua fortuna desapareceu antes de chegar ao Catar
A história é tanto um drama familiar quanto um caso de opacidade financeira e jurídica que confunde os limites entre o privado, o institucional e o internacional
Nicolas Puech deveria ser uma daquelas pessoas que a maior parte do planeta rotula como "sortudas". O motivo está em seu segundo e inconfundível sobrenome: Hermés. Ele é, no papel, o maior acionista privado da empresa de luxo e, há alguns meses, foi protagonista de seu curioso plano de sucessão: adotar seu jardineiro para torná-lo herdeiro legítimo. Acontece que, da noite para o dia, sua fortuna evaporou devido a um suposto golpe de seu administrador. O mesmo acabou de acontecer com Puech no Catar.
O emir e um acordo fracassado
Nicolas Puech, descendente direto do fundador da Hermès, Thierry Hermès, personifica um dos mistérios mais complexos e fascinantes do universo do luxo europeu. Aos 82 anos, sua figura oscila entre a opacidade e o escândalo, envolvida em litígios, contradições e movimentos inesperados que questionam não apenas a magnitude de sua fortuna, mas também sua gestão e a veracidade de suas reivindicações patrimoniais.
Embora lhe seja atribuída uma participação significativa na Hermès, avaliada em aproximadamente 5% (o que equivaleria a mais de US$ 15 bilhões, ou R$ 88 bilhões), Puech tem discursos contraditórios. Enquanto uma ação judicial recente movida em um tribunal federal em Washington, D.C., alega que ele reconheceu ser o proprietário desse pacote de ações e ter assinado sua venda para a família real do Catar, em outras instâncias judiciais suíças ele argumentou que suas ações desapareceram nas mãos de um gestor financeiro, gerando uma série de ...
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