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Setor de transporte marítimo aguarda retomada de travessias seguras pelo Estreito de Ormuz

22 abr 2026 - 11h38
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Uma passagem ‌segura e sustentável pelo Estreito de Ormuz é o que as principais empresas de navegação exigem antes que o mundo veja petróleo ou carga voltarem a sair ou entrar pelo Golfo Pérsico, disseram dois importantes executivos do setor nesta quarta-feira.

"Há duas semanas, quando o cessar-fogo, dito temporário, entrou em ⁠cena, pensamos que havia esperança. Mas, na realidade, o acordo não se ‌traduziu em segurança e passagem (das embarcações)", disse à Reuters Jotaro Tamura, presidente-executivo da japonesa Mitsui O.S.K. Lines, em uma entrevista à margem da conferência ‌da Semana Marítima de Cingapura.

A MOL é ‌uma das maiores empresas de navegação do mundo e a maior ⁠proprietária de navios-tanque de petróleo e gás natural liquefeito.

As dúvidas sobre segurança permanecerão mesmo se o estreito for reaberto, acrescentou Tamura.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã alertou sobre a existência de minas ao redor do estreito.

"É uma questão de definição de 'aberto'. Está realmente aberto, ou está 'meio aberto'? Está aberto, mas ‌há risco?", questionou Tamura. "Em algum momento, elas (as viagens) serão retomadas e a ‌normalização entrará em cena. Mas ⁠é difícil prever ⁠como será a realidade."

Quando perguntado se a MOL pagaria taxas de pedágio ao Irã ⁠se solicitado, ele disse que a ‌posição da MOL era seguir ‌a lei internacional, que é a liberdade de passagem pelo estreito.

A CMB.Tech, da Bélgica, outra grande empresa marítima, com uma frota de mais de 250 navios, também está esperando por mais clareza.

"Não podemos nos ⁠proteger. Só precisamos esperar o que vai acontecer no Oriente Médio", disse o presidente-executivo Alexander Saverys à margem da conferência de Cingapura. "Isso está criando muita incerteza."

Saverys acrescentou que é preciso haver confiança de que as empresas podem transitar pela região sem problemas. "Hoje ‌não temos nenhuma garantia. Só teremos essa garantia quando virmos que os navios podem passar pelo estreito de forma segura e sustentável."

"O Estreito de ⁠Ormuz é uma passagem livre, onde normalmente não se deve pagar pedágio", disse Saverys. "Se isso mudar no futuro, nós investigaremos."

Ele se recusou a falar sobre quantos navios da empresa estão encalhados no Golfo.

"Estamos nos comunicando com todos os governos para ver e garantir que nossas embarcações possam navegar. Mas, no momento, como vocês sabem, a situação ainda não é segura."

O tráfego marítimo pelo estreito continua praticamente parado desde o início da guerra entre EUA e Irã, em 28 de fevereiro.

Normalmente, cerca de 130 navios por dia entram e saem do Golfo Pérsico pelo estreito, movimentando cerca de 20% do suprimento diário de petróleo e gás natural liquefeito do mundo.

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