O desafio de se destacar no setor imobiliário em tempo de juros altos
Vencedores do prêmio Top Imobiliário, uma parceria entre o Estadão e a Embraesp, destacam o papel do setor na transformação da sociedade
Destacar-se num setor altamente dependente da taxa de juros, em um ano em que a Selic se manteve em 13,75%, foi o grande desafio dos vencedores do prêmio Top Imobiliário, entregue na noite desta segunda-feira, 19, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM).
O prêmio é resultado de uma parceria entre o Estadão e a Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio) e vem reconhecendo os incorporadores, construtores e vendedores mais ativos na Região Metropolitana de São Paulo há 30 anos.
"Esse é um setor que se reinventou na pandemia, vendendo online, se recriou em tempo de inflação, contendo custos e agora se superou nesses últimos 12 meses de taxa de juro a 13,75%", disse Mirella Raquel Parpinelle Correa, diretora executiva comercial da Lopes Consultoria de Imóveis, empresa que foi reconhecida como melhor vendedora e melhor incorporadora do ano e também dos últimos 30 anos - menção que esta edição da premiação fez, para comemorar as três décadas do Top Imobiliário.
Para a Lopes, segundo ela, a saída para contornar os juros altos foi investir na capacitação do time de vendas e na motivação das equipes.
O diretor-presidente do Grupo Estado, Francisco Mesquita Neto, destacou que o setor imobiliário é importante tanto na geração de habitação e empregos quanto no pagamento de impostos. "O Estadão apoia a livre iniciativa e por isso apoia esse setor da economia, assim como outros. O setor imobiliário tem um potencial transformador", disse.
Outra empresa de destaque na celebração - que teve a presença de aproximadamente 200 executivos de empresas do setor, como MRV, Tenda, Cury, Plano&Plano, Econ e Even, entre outras - foi a Cyrela Brazil Realty. A construtora ficou em primeiro lugar no ano e também recebeu a menção honrosa dos 30 anos da premiação.
"Para a Cyrela esse é um momento histórico, estamos muito felizes e gratos. Essas premiações validam nosso trabalho de sempre estarmos focados em fazer o bem, de perseverar e contribuir para a transformação e evolução da cidade, e de uma sociedade, consolidando ainda mais nosso trabalho em uma jornada de 60 anos no mercado imobiliário", disse Efraim Horn, CEO e copresidente da Cyrela.
Adriana Boggio, secretária municipal em exercício de Infraestrutura Urbana e Obras, destacou no evento a pujança do setor imobiliário e lembrou que o projeto Pode Entrar, da Prefeitura de São Paulo, deve injetar cerca de R$ 8 bilhões no mercado. "O programa incentiva o mercado a produzir unidades habitacionais com segurança jurídica. Tanto que 56 empresas já se credenciaram para participar", disse.
Cidade para pessoas
A ideia de transformar espaços públicos em lugares onde a vida na cidade possa acontecer foi outro destaque do evento, com a entrega do 9º prêmio Pensador de Cidades, da Embraesp, ao escritório Levisky Arquitetos, pelo conjunto da obra.
Dentre os projetos do escritório estão, por exemplo, a revitalização da Praça Victor Civita, em Pinheiros, a transformação dos reservatórios da Sabesp em parques nos bairros Butantã, Cajaíba e Mooca, entre outros.
"Todos nosso projetos pensam os espaços como maneira de promover a vida e o bem-estar das pessoas na cidade", disse a arquiteta Adriana Levisky. A parceria entre o poder público e o setor privado, segundo ela, é importante para as cidades como um todo e o desafio é fazer esses acordos perdurarem no tempo, mesmo que as administrações municipais mudem.
Ela acredita que todo o setor imobiliário precisa ter uma visão de cidade - e não só do projeto - ao lançar um novo empreendimento. "Por isso certas mudanças que a revisão do novo plano diretor da cidade de São Paulo traz são importantes", disse ela.
Uma delas é a ampliação do perímetro em que se pode fazer o retrofit (revitalização) de prédios antigos. "Há muitas lajes de estacionamentos abandonadas por toda cidade, não só no centro, e São Paulo precisa ser mais ágil para atualizar esses lugares, que acabam ficando abandonados", diz ela.
A verticalização da cidade, com prédios mais altos, não é o vilão do novo plano, segundo ela, mas sim a falta de integração dos projetos com os bairros e a vida das pessoas nas ruas. "Se um projeto não contempla a calçada, a diversidade de coisas numa mesma região, com residências, e comércio - para que as pessoas possam andar a pé -, ele mata o bairro", diz a arquiteta.