'Nunca vi uma transição tão acelerada quanto essa', afirma CEO de aplicativo de recarga de elétricos
Aceitação de veículos eletrificados no País ocorreu muito mais rapidamente do que esperavam os próprios empresários da área
Em menos de quatro anos, o carro elétrico deixou de ser uma novidade restrita a poucos e se tornou uma grande operação em escala no Brasil, observam empresários do aplicativo de transporte 99, da fabricante de veículos BYD, e do aplicativo de recarga Tupi reunidos no início da tarde desta terça-feira, 23, no Energy Summit.
O encontro discute o futuro da energia, da inovação e da sustentabilidade, reunindo os principais nomes do setor na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, entre os dias 23 e 25. Thiago Hipólito, do 99; Pablo Toledo, da BYD; e Pedro de Conti, do Tupi, participaram da mesa "Eletrificação em escala: quando o carro elétrico deixa de ser tendência e passa a ser operação".
Segundo os empresários a transformação do mercado foi mais rápida do que qualquer um poderia esperar.
"Em 2022 já tínhamos a convicção de que os carros eletrificados eram o futuro por conta da referência da China, onde 99% dos veículos já são elétricos ou híbridos", afirmou Thiago Hipólito, diretor sênior de inovação do 99. "Mas, quando começamos, tínhamos 80 carros, menos de quatro anos depois já são 50 mil."
Diretor de Branding e PR da BYD, Pablo Toledo concordou com o colega e contou sua própria experiência na gigante de veículos chinesa.
"Ontem, batemos a marca de 300 mil carros em menos de quatro anos; e vários marcos que estipulamos para os últimos dois anos foram já ultrapassados", contou Toledo. "Mas, com o preço da gasolina disparando, nós mesmos fomos surpreendidos com o aumento muito rápido das vendas de carros elétricos; o Dolphin Mini, hoje, é o líder de vendas no varejo no País. A virada aconteceu este ano porque até dezembro do ano passado não prevíamos isso."
Os empresários sabiam que havia muitas desconfianças sobre o carro elétrico no mercado brasileiro. Entre as principais delas, a questão da recarga da bateria, da autonomia do carro, e do fato de a fabricante ser chinesa. Curiosamente, todas essas barreiras foram ultrapassadas com uma rapidez surpreendente.
"A gente vem percebendo essa virada há uns dois anos, quando os primeiros carregadores rápidos chegaram ao mercado e já registrávamos filas de horas para o carregamento", disse Pedro de de Conti, CEO do aplicativo de recarga Tupi. "Mas, quando ouvimos os motoristas de aplicativo falando em economia, não só segurança, inovação e tecnologia, mas economia, aí entendemos que a virada já tinha acontecido. Os últimos dois anos foram muito mais acelerados do que imaginávamos. Nunca vi uma transição tão acelerada quanto essa."
Economia parece ser a grande chave para entender a rápida transição. Pelas contas dos empresários, um motorista de aplicativo consegue economizar, por mês, de R$ 2,5 mil a R$ 3 mil por mês em combustível e manutenção ao dirigir um carro elétrico.
"Essa economia significa conseguir colocar um filho numa escola privada, ter um segundo carro, realizar um sonho", disse Pablo Toledo, da BYD. "Essa economia mudou a vida desses caras; isso ajudou muito na nossa reputação."
Pablo Toledo concluiu:
"Fazemos um exercício de não banalizar esses marcos de transformação; porque essa transição de combustão para eletrificação é uma transformação muito radical, precisamos dar importância ao que estamos vivendo hoje, nossa campanha fala em revolução".
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