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Dólar segue exterior e atinge maior valor ante o real desde o fim de março

23 jun 2026 - 17h11
(atualizado às 17h20)
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O dólar fechou a ‌terça-feira em alta ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante quase todas as demais divisas no exterior, com as cotações no Brasil também ponderando a ata do último encontro de política monetária do Banco Central.

O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,87%, aos R$5,1859, o maior valor de fechamento desde 30 de ⁠março deste ano, quando atingiu R$5,2461 em meio à guerra no Oriente Médio. No ‌ano, a moeda passou a acumular baixa de 5,52% ante o real.

Às 17h02, o dólar futuro para julho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,83% na ‌B3, aos R$5,1960.

A terça-feira foi de "risk-off" (fuga do risco) nos ‌mercados globais, com investidores vendendo ações em Wall Street e comprando dólar e ⁠títulos norte-americanos -- neste caso, com consequente queda nos rendimentos.

Com isso, o dólar sustentou ganhos ante quase todas as divisas de países emergentes, incluindo o real, o peso mexicano, o peso chileno e o rand sul-africano.

No Brasil, o avanço da moeda norte-americana também encontrou respaldo na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que ‌reforçou a percepção de que a taxa básica Selic pode cair no curto prazo, mesmo ‌com a instituição demonstrando preocupação ⁠com o cenário ⁠inflacionário.

A ata do Copom, que na semana passada cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,25% ao ⁠ano, reiterou que a projeção de inflação ‌do BC para o quarto trimestre ‌de 2027 -- atual horizonte relevante -- está em 3,7%, acima do centro da meta de inflação, de 3%.

Ao mesmo tempo, o BC voltou a defender que atingir os 3% no quarto trimestre de 2027 demandaria ajustes agressivos da Selic e faria, ⁠na sequência, a inflação ficar abaixo desse nível por diversos trimestres consecutivos.

Em função disso, o Copom julgou como mais adequadas trajetórias de Selic "menos discrepantes", com combinações de "momentos de pausa" e "retomada do ciclo de calibração" -- ou seja, de corte -- da taxa básica, com a inflação "convergindo para a meta no primeiro ‌trimestre de 2028".

Assim, enquanto o Federal Reserve tem sinalizado a possibilidade de juros mais elevados nos EUA, o BC preparou o terreno para possíveis novos cortes, indicando que ⁠há poucas chances de elevações da Selic.

O diferencial de juros entre Brasil e outros países -- como EUA e Japão, cujas taxas estão em níveis bem menores -- vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. Agora, este diferencial tende a cair.

Neste cenário, o dólar à vista oscilou em alta durante todo o dia, variando entre a cotação mínima de R$5,1593 (+0,35%) às 9h32 e a máxima de R$5,1932 (+1,01%) às 15h30.

No exterior, às 17h09 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,38%, a 101,390.

No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de julho.

(Edição de Isabel Versiani)

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