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Taxas dos DIs caem após ata do BC indicar poucas chances de alta da Selic no curto prazo

23 jun 2026 - 16h54
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As taxas dos DIs fecharam a ‌terça-feira em baixa, com investidores eliminando parte dos prêmios da curva a termo após a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central indicar que a Selic não subirá no curto prazo e que buscará atingir a meta de inflação apenas no primeiro trimestre de 2028.

A queda das taxas futuras no Brasil foi influenciada ainda pelo recuo dos rendimentos dos Treasuries no exterior.

No fim da ⁠tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,545%, com baixa de 15 pontos-base ‌ante o ajuste de 14,698% da sessão anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,425%, com queda de 10 pontos-base ante o ajuste de 14,52%.

A ata do ‌Copom, que na semana passada cortou a Selic em 25 ‌pontos-base, para 14,25% ao ano, reiterou que a projeção de inflação do BC para o ⁠quarto trimestre de 2027 -- atual horizonte relevante -- está em 3,7%, acima do centro da meta de inflação, de 3%.

Ao mesmo tempo, o BC voltou a defender que atingir os 3% no quarto trimestre de 2027 demandaria ajustes agressivos da Selic e faria, na sequência, a inflação ficar abaixo desse nível por diversos trimestres consecutivos.

Em função disso, o Copom julgou como mais adequadas trajetórias de Selic "menos discrepantes", ‌com combinações de "momentos de pausa" e "retomada do ciclo de calibração" -- ou seja, de corte -- da taxa básica, ‌com a inflação "convergindo para a meta ⁠no primeiro trimestre de ⁠2028".

Em reação, as taxas dos DIs de curto prazo se firmaram em baixa logo cedo, enquanto as longas chegaram ⁠a sustentar ganhos, mas migraram para o território negativo ‌durante a tarde.

"O Copom deixou claro ‌que... este patamar (da Selic) ainda é bastante restritivo e que vai fazer a convergência da inflação à meta. O mercado tinha bastante alta precificada (na curva), até em reuniões do Copom no curto prazo, e reduziu um pouco este cenário de alta", comentou o chefe da ⁠mesa de operações do C6 Bank, Felipe Garcia, ao justificar a queda da curva brasileira.

"Pela ata, o BC não considera subir juros, ele considera parar e depois calibrar", acrescentou.

Para o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano, a ata elevou as chances de interrupção do atual ciclo de cortes da Selic já em agosto.

"Achava que o mais provável era um ‌corte na próxima (reunião do Copom). Agora acho que o mais provável é a interrupção", afirmou Serrano, projetando uma parada dos cortes em agosto e uma retomada no quarto trimestre deste ano.

Entre muitos ⁠profissionais do mercado, no entanto, o discurso do BC não foi necessariamente positivo, por demonstrar preocupação com o cenário atual, mas insistir em uma convergência da inflação à meta somente em 2028.

"Entendo que o BC até quis ser hawk (duro com a inflação) na ata, mas acabou confirmando que segue dove (brando) e confortável em não entregar o seu mandato", disse o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, referindo-se à meta de inflação. Segundo ele, o BC "justificou o injustificável" no documento.

A baixa da curva a termo brasileira foi influenciada ainda pelo exterior, onde os rendimentos dos Treasuries caíram, em uma sessão de "risk-off" (fuga do risco), com investidores vendendo ações em Wall Street e comprando títulos norte-americanos.

Às 16h33, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha queda de 4 pontos-base, a 4,194%. Já o retorno do título de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 1 ponto-base, a 4,497%.

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