Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Número de empresas em recuperação judicial bate recorde em 2025; agro responde por 30%, diz Serasa

No ano passado, 2.466 companhias entraram com pedidos na Justiça, o maior nível da série iniciada em 2012

7 abr 2026 - 07h11
(atualizado às 07h35)
Compartilhar
Número de empresas em recuperação judicial bate recorde em 2025; agro responde por 30%, diz Serasa
Número de empresas em recuperação judicial bate recorde em 2025; agro responde por 30%, diz Serasa
Foto: Pixabay/Reprodução / Estadão

A taxa básica de juros em 15% ao ano por um período prolongado está asfixiando as empresas. Em 2025, o número de companhias que pediram recuperação judicial para renegociar dívidas pendentes, reestruturar-se e conseguir manter o negócio de pé foi recorde.

No ano passado, 2.466 empresas entraram na Justiça com pedido de recuperação judicial. Foi o maior nível da série iniciada em 2012 e um número 13% maior do que no ano anterior, segundo levantamento da Serasa Experian. Para chegar a esses números, a datatech coletou os pedidos de recuperações judiciais em todas as comarcas do País.

Também no ano passado, a quantidade de processos de recuperação judicial que podem envolver várias empresas de um mesmo grupo econômico em situação difícil atingiu o maior nível em dez anos. Foram 977 processos de recuperação judicial em 2025, com crescimento de 5,5% ante 2024.

"Quando a gente olha exclusivamente para o número de CNPJs (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), isto é, as empresas, é um volume bastante alarmante", diz a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack.

No entanto, quando são cruzadas as informações sobre número de processos de recuperação judicial, que podem incluir várias empresas, com o total de CNPJs que pediram recuperação, chega-se a uma base mais real da história. Ou seja, é possível relativizar esse recorde de companhias em situação financeira difícil, que já é bastante preocupante, observa a economista.

A Serasa Experian interrompeu a divulgação dos dados de recuperações judiciais no primeiro trimestre do ano passado. A parada foi para reformular a metodologia do levantamento. Agora, o Indicador de Falências e Recuperações Judiciais da datatech passa a acompanhar o tema por duas métricas: o número de empresas que entraram com pedido de recuperação judicial e a quantidade de processos de recuperações judiciais.

Gravidade

Em 2016, quando o total de processos de recuperação judicial atingiu 1.011, o pico da série, o ambiente econômico que levou a esse recorde era bem diferente do cenário de 2025. No ano passado, foram 977 processos de recuperação judicial.

Camila lembra que, em 2016, o País enfrentava uma recessão econômica, com juros e inflação elevados. Configurava-se, assim, um problema mais macroeconômico, que afetava a solvência das empresas.

No momento atual, a conjuntura é outra. "Estamos num quadro de desaceleração da atividade econômica provocada por uma taxa de juros que é bastante elevada, o que encarece o crédito e cria dificuldade para as empresas rolarem as suas dívidas."

Na avaliação da economista, em 2016 a situação era mais grave para as empresas do que a atual. "Não estamos nem próximos do momento que vivemos lá em 2016", diz ela.

Foram dois anos de queda no Produto Interno Bruto (PIB). Agora, está sendo iniciado um ciclo de corte da taxa básica de juros, que estava em 15% e recuou para 14,75%, em ritmo mais lento por causa do risco inflacionário decorrente da guerra no Oriente Médio. Pelo Boletim Focus, do Banco Central, os juros ao final deste ciclo de corte estarão em 12,5%, mas a Serasa projeta 13%.

"Ainda assim, será uma taxa bastante elevada e que traz bastante dificuldade para as empresas conseguirem gerenciar esse endividamento acumulado ao longo dos últimos anos", pondera Camila.

Número de empresas em recuperação judicial bate recorde em 2025; agro responde por 30%, diz Serasa
Número de empresas em recuperação judicial bate recorde em 2025; agro responde por 30%, diz Serasa
Foto: ADILVAN NOGUEIRA/ ESTADAO / Estadão

Agropecuária no topo

Levantamento da datatech mostra que empresas do setor agropecuário e de serviços responderam pelas maiores parcelas dos pedidos de recuperação judicial no ano passado.

Com 743 pedidos, a agropecuária respondeu por 30,1% do total de empresas, participação 3,8 pontos superior em relação ao ano anterior.

Na sequência estão as empresas prestadoras de serviços, com 739 pedidos de recuperação judicial em 2025, participação de 30% e avanço de 0,6 ponto porcentual em relação ao ano anterior.

Já companhias do comércio totalizaram 535 pedidos, tiveram participação de 21,7% e perderam 2,4 pontos porcentuais de participação no total de recuperações judiciais por CNPJ. Com 449 pedidos, a indústria também deu marcha à ré: respondeu por 18,2% do total e a sua fatia encolheu 2 pontos porcentuais.

Um resultado que chama atenção foi o forte avanço da participação das empresas do setor agropecuário nos pedidos de recuperações judiciais em 13 anos. Em 2012, as companhias do setor respondiam por 1,3% do total de pedidos. No ano passado, essa fatia chegou a 30,1%.

No mesmo período, a parcela da indústria caiu quase pela metade, de 34,4% para 18,2%, o comércio recuou de 31,2% para 21,7% e os serviços, que eram 33,1% das empresas em recuperação judicial em 2012, caíram para 30%.

A Serasa Experian tem acesso às recuperações extrajudiciais homologadas pela Justiça apenas. Por esse critério, no ano passado foram 62 processos de recuperações extrajudiciais, ante 977 processos de recuperações judiciais.

Os dados mostram que a diferença entre o volume de recuperações judiciais e extrajudiciais é grande. No entanto, a recuperação extrajudicial vem ganhando espaço.

Em 2023, para 26 pedidos de recuperação judicial, apenas um era de extrajudicial. Mas, nos dois últimos anos, 2024 e 2025, essa relação diminuiu: de 16 pedidos de recuperação judicial, um era de recuperação extrajudicial.

Apesar de a diferença ser muito grande entre o total de pedidos de recuperação judicial em relação ao total de extrajudicial, Gallegos diz que a tendência é de a quantidade de recuperação extrajudicial aumentar.

Entre os motivos apontados pelo especialista estão o fato de a extrajudicial ter um custo menor para a empresa, já que não é necessário um administrador, e as negociações serem feitas diretamente entre o devedor e os credores.

Outro fator favorável à recuperação extrajudicial apontado por Gallegos é que esse expediente dá mais liberdade para a empresa continuar operando, mesmo carregando dívidas não pagas. "Na recuperação extrajudicial, a empresa tem a liberdade para escolher com quem vai negociar e isso ajuda na sua operação", diz o especialista.

Estadão
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra