Nubank quer crescer além de MEIs e mira empresas que faturam até R$ 4,8 milhões por ano
Segmento oferece potencial de rentabilidade maior, mas exige oferta de produtos mais sofisticada e maior capacidade de gestão de risco de crédito
O Nubank entrou em uma fase mais ambiciosa na acirrada corrida do setor financeiro pelo público empresarial, depois de atingir a marca de 6 milhões de clientes pessoa jurídica (PJ). A fintech agora mira diversificar a base para além dos microempreendedores individuais (MEIs) ao ampliar a participação entre as micro e pequenas empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.
Tradicionalmente dominado pelos grandes bancos, o segmento oferece potencial de rentabilidade maior, mas exige uma oferta de produtos mais sofisticada e maior capacidade de gestão de risco de crédito.
"À medida que a empresa cresce, as demandas começam a ficar mais complexas", explica o diretor-geral da Nu Empresas, Maximiliano Damian, em entrevista ao Estadão/Broadcast. "Deixa de ser apenas o dono que lida com o banco no dia a dia e passam a existir outras pessoas envolvidas na gestão", cita.
Para conquistar esse público, o Nubank replica a estratégia que impulsionou sua ascensão entre pessoas físicas ao longo da última década. A ideia é usar a conta digital como porta de entrada para, depois, oferecer opções de crédito. Hoje, as linhas mais usadas são as de capital de giro e as modalidades garantidas pelo governo, como o Fundo Garantidor para Investimentos. O cartão de crédito também é amplamente utilizado para despesas operacionais do dia a dia e compras de menor valor.
A instituição financeira não abre no detalhe o saldo da carteira desses produtos. No primeiro trimestre, tinha um portfólio de R$ 37,2 bilhões, um crescimento de 40% na comparação com igual período do ano passado.
Apesar da pressão dos juros elevados, Damian garante que a inadimplência entre as pequenas empresas opera em nível semelhante ao do mercado. Assim como ocorre na pessoa física, o Nubank tem usado inteligência artificial para aumentar a elegibilidade dos clientes e proteger a qualidade do balanço.
Nubank quer transformar conta em ferramenta de gestão
Para além do crédito, porém, o avanço na escala das empresas cria desafios inéditos para o Nubank. À medida que o negócio ganha escala, o maior gargalo do pequeno empresário passa a ser a falta de tempo para administrar todas as frentes, explica Damian. Assim, o banco digital investe no desenvolvimento de experiências para transformar a conta em uma espécie de ferramenta de gestão, que inclui cobranças recorrentes, emissões de boletos e sistemas de organização financeira.
Um exemplo dessa estratégia é o assistente de cobrança, que automatiza o envio de lembretes por e-mail e WhatsApp sobre boletos a vencer ou em atraso. O Nubank trouxe também da conta de pessoa física as Caixinhas, que permitem ao empreendedor guardar dinheiro por objetivos. Damian conta que muitos clientes usam o recurso para organizar a vida financeira da empresa, com caixinhas específicas de despesas como salários, impostos e outras obrigações.
"Os clientes com mais caixinhas são os mais organizados e, portanto, os melhores do ponto de vista do crédito", comenta o executivo. "A caixinha se tornou uma referência para sabermos o nível de organização do cliente."
Na adquirência, o Nubank aposta na solução de Tap To Pay, que transforma o celular em maquininha de pagamentos. Muito usada por pequenos varejistas, a ferramenta movimenta cerca de R$ 1,5 bilhão em volume transacionado (TPV, na sigla em inglês) por mês. O recurso amplia as formas de cobrança disponíveis, complementa o portfólio do Nu Empresas e ajuda a aprofundar o relacionamento do banco com os clientes.
"O momento mais difícil do empreendedor é justamente a hora de cobrar pelo serviço ou produto vendido. Fornecer o maior número possível de formas de cobrança é um dos nossos grandes objetivos", diz Damian.
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