Neoenergia anuncia 1º posto de hidrogênio verde do Brasil e fecha parceria com a Honda
Terminal em Taguatinga (DF) custou cerca de R$ 30 milhões e é alimentado por uma usina fotovoltaica própria
RIO - A Neoenergia vai inaugurar, em 16 de dezembro, o primeiro terminal de hidrogênio verde do País. O posto, erguido na base operacional de Taguatinga (DF), consumiu cerca de R$ 30 milhões e é alimentado por uma usina fotovoltaica própria. Ele opera em duas pressões: enche o tanque de um ônibus para cerca de 400 km de autonomia ou abastece até oito carros de passeio em sequência.
O projeto tem como primeiro parceiro a Honda, que usará no Brasil o utilitário CR-V e:FCEV — híbrido plug-in movido por célula a combustível, cujo reabastecimento leva três minutos — para seis meses de testes de viabilidade na produção e no uso do hidrogênio verde.
Segundo o CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui, o projeto foi totalmente realizado com recursos do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI), regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A tecnologia embarcada segue a experiência da Iberdrola em projetos semelhantes na Europa, como Puertollano (com 20 MW de eletrólise) e a estação de Barcelona para abastecimento de ônibus.
"A experiência internacional indica que o hidrogênio verde evolui de projetos-piloto para usos industriais e comerciais em larga escala. No Brasil, esse movimento é favorecido por uma matriz elétrica renovável e pelo avanço regulatório, embora ainda dependa de aprendizado contínuo e desenvolvimento tecnológico."
Segundo ele, a estação de Taguatinga "permite à companhia e aos parceiros obter conhecimento prático e demonstrar o potencial dessa infraestrutura no Brasil".
O CEO da Honda Automóveis do Brasil, Arata Ichinose, vê a colaboração anunciada nesta quinta-feira como um passo importante para a exploração do potencial desse vetor energético. Do lado japonês, a colaboração reforça o plano global de zerar emissões até 2050. "A Honda foi uma das pioneiras a reconhecer o valor do hidrogênio para viabilizar uma sociedade neutra em carbono e vem desenvolvendo tecnologias há mais de 30 anos."
Para além da mobilidade urbana, as duas empresas pretendem estudar aplicações industriais e oportunidades de produção local do combustível.
*O Estadão visitou a primeira planta de hidrogênio verde no laboratório da UFSC.