MRV&Co tem geração de caixa de R$378 mi no 1º tri e se prepara para novas regras do MCMV
A MRV&Co fechou o primeiro trimestre com geração de caixa de R$387 milhões, em desempenho influenciado pela venda de ativos da operação nos Estados Unidos e pelo resultado da operação de incorporação brasileira, mostraram dados da construtora nesta segunda-feira.
A MRV Incorporação registrou nos primeiros três meses do ano uma geração de caixa de R$96 milhões, acima dos quase R$80 milhões registrados no quarto trimestre de 2025 e revertendo o consumo de caixa de R$68,6 milhões um ano antes.
Após ajustes, entre eles a exclusão da cessão de carteira e a mudança de critério de pagamento da Caixa Econômica Federal, em que o depósito do valor das unidades repassadas só é feito após o registro em cartório, a MRV Incorporação registrou um consumo de caixa de R$24,2 milhões.
A MRV&Co ressaltou, porém, que o montante represado na Conta Transitória da Caixa, em função da mudança de critério de pagamento, apresentou uma redução de R$88 milhões no primeiro trimestre ante os três meses anteriores, somando R$240 milhões.
A companhia ainda registrou um descasamento de 1.518 unidades entre produção (9.747 unidades) e repasse (8.229 unidades) no período.
No caso da operação norte-americana Resia, a geração somou US$67 milhões (R$348 milhões) e foi determinada pela venda de ativos nos primeiros meses do ano - o empreendimento Tributary por US$73,3 milhões e os terrenos Marine Creek e Tucker por US$18,3 milhões.
A divisão URBA, de loteamento, teve queima de caixa de R$28,5 milhões e a unidade Luggo, focada em aluguel residencial, registrou um consumo de caixa de R$14,8 milhões.
ABASTECIDA PARA MCMV
De acordo com a prévia operacional, as vendas líquidas na MRV Incorporação cresceram 13,9% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025, para R$2,469 bilhões, com a comercialização de 9.141 unidades e um tíquete médio de R$270 mil, ante 8.377 unidades e tíquete de R$259 mil um ano antes.
Na comparação com o quarto trimestre, porém, as vendas encolheram 10,5%, assim como houve queda no número de unidades vendidas, de 12,8%, mas o tíquete médio subiu 2,5%.
Os lançamentos nessa divisão, voltados em sua maioria para projetos do programa Minha Casa, Minha Vida, totalizaram um valor geral de vendas (VGV) de R$2,915 bilhões, aumento de 0,9% ano a ano e de 2,4% na base trimestral, com um total de 10.386 unidades, declínio de 4,2% ano a ano e alta de 0,2% no trimestre.
De acordo com o diretor financeiro da MRV&Co, Ricardo Paixão, a companhia deu uma "caprichada" nos lançamentos no final do trimestre para começar abril bem abastecida e poder aproveitar a primeira arrancada gerada pela mudança nos parâmetros do MCMV.
No final de março, o Conselho Curador do FGTS ampliou a renda máxima de famílias que podem ser elegíveis ao programa habitacional do governo federal e os valores máximos de financiamento dos imóveis.
"Foram mudanças bem colocadas e assertivas", afirmou Paixão em entrevista à Reuters, estimando que deve ocorrer um incremento de volume de vendas e afirmando que a companhia está animada com as alterações. "Podemos esperar uma capacidade de compra dos clientes aumentando em função dessas alterações", acrescentou.
Ao comentar sobre perspectivas para a margem bruta da companhia, Paixão não detalhou, mas adiantou que não vê "nenhum motivo para aquela tendência incremental de margem bruta deixar de existir...Deve ser uma repetição do que vem acontecendo", acrescentou.
No quarto trimestre do ano passado, a margem bruta da MRV Incorporação cresceu 4 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024, para 31%. Na base trimestral, mostrou acréscimo de 0,3 ponto.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)