Moody's: perspectiva de 21 instituições financeiras deixa de ser positiva, em linha com o Brasil
Reclassificação pela agência internacional de avaliação de risco de crédito segue a mudança da perspectiva do País de positiva para estável, anunciada na sexta-feira, 30
A Moody's, uma das principais agências classificadoras internacionais de risco de crédito, revisou perspectivas de 21 instituições financeiras brasileiras de positiva para estável para depósitos de longo prazo, ratings de dívida sênior sem garantia de longo prazo e de emissor, quando aplicável. Todos os ratings e avaliações, incluindo suas entidades associadas, foram afirmados.
As ações de classificação sobre esses emissores seguem a afirmação da classificação do rating soberano Ba1 do governo brasileiro e a mudança da perspectiva de positiva para estável, anunciada na sexta-feira, 30.
Da lista das 21 instituições brasileiras destaques para Banco do Brasil, BNDES, Itaú Unibanco, Bradesco, Banco da Amazônia, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal, Santander, BTG Pactual, Sicredi, Safra, Banco ABC Brasil, Daycoval, Citibank Brasil, XP e Banco Modal.
Quando a nota estava com perspectiva positiva, ficava mais próximo o "selo de bom pagador", por sinalizar menor probabilidade de calote e, com isso, o País ser visto como mais seguro para investimento. Na prática, se tivesse o grau de investimento, além de o Brasil atrair mais dólares, o governo tenderia a pagar juro menor pelos títulos que emite, com efeitos em toda a economia. O recado que a agência dá agora é que ficou ainda mais urgente para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva ajustar as contas públicas, pressionadas por gastos crescentes.
Segundo a avaliação da classificadora, a qualidade do crédito soberano pode afetar diretamente a posição de crédito de outros emissores domiciliados no País e, de forma mais geral, tende a estar associada a tendências macroeconômicas e do mercado financeiro que afetam todos os emissores nacionais.
"Os bancos, em particular, apresentam fortes interligações de crédito com seus soberanos. Dessa forma, a mudança na perspectiva do Brasil de positiva para estável reduziu a probabilidade de essas instituições financeiras serem elevadas em conjunto com uma elevação do rating soberano", explica a agência de risco.
A agência afirma as avaliações de crédito base (BCAs) de 15 bancos, ratings de depósito de longo prazo em moeda local e estrangeira (quando aplicável) de 14 bancos, ratings de dívida sem garantia de longo prazo em moeda estrangeira de 7 instituições financeiras, bem como o Rating Corporativo (CFR) de longo prazo e os ratings de emissor de longo prazo em moeda local (quando aplicável) de 5 instituições financeiras.
Os Ratings de Risco de Contraparte (CRR) e as Avaliações de Risco de Contraparte (CRA) atribuídos a 15 bancos também foram afirmados.
"Essas ações também incluíram as respectivas holdings e filiais offshore classificadas, quando disponíveis, dessas instituições financeiras", destaca a Moody's, em relatório.
A agência reafirmou os ratings de depósito de longo prazo em moeda local e estrangeira Ba1 para BB, BNDES, Itaú e Bradesco, considerando a manutenção dos BCAs (avaliações de crédito base) desses bancos em ba1, a premissa inalterada de alto grau de suporte do governo federal ao BB e ao BNDES e a expectativa de suporte também ao Itaú e ao Bradesco.
"Apesar dessas considerações, os ratings de depósito não foram elevados, pois estão limitados ao rating soberano do Brasil", destaca a Moody's.
Foram igualmente reafirmados os CRRs (Counterparty Risk Ratings) de longo prazo em moeda local e estrangeira em Baa3, assim como os CRAs (Counterparty Risk Assessments) de longo prazo em Baa3(cr) para os quatro bancos. Os ratings de entidades relacionadas, como as unidades nas Ilhas Cayman e a BNDESPar, também foram mantidos.