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'Modelo de incentivo não é só remuneração', diz Sergio Fajerman, diretor de RH do Itaú

Mudanças tecnológicas e comportamentais impulsionam transformações no mercado de trabalho, avaliam palestrantes no São Paulo Innovation Week

13 mai 2026 - 15h01
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Por trás da enxurrada de publicações de LinkedIn, o mercado de trabalho vive uma revolução. Os avanços tecnológicos, a consolidação da inteligência artificial e as mudanças geracionais geram conflitos entre organizações, lideranças e colaboradores. A Ambev e o Itaú, duas das maiores empregadoras do Brasil, desenvolvem ferramentas e adotam estratégias para continuar atrativas e eficientes nesse cenário.

"Mesmo antes da pandemia, já existia um boom de transformação digital e startups. Depois, vimos grandes mudanças de comportamento e de modelo de trabalho. Isso demandou a criação de novos modelos de negócio e novos modelos de liderança", afirma Ricardo Melo, vice-presidente de pessoas da Ambev.

Melo participou do painel "Decodificando as expectativas do trabalho", realizado nesta quarta-feira, 13, no São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos.

No painel, mediado por Paula Esteves, CEO da Cia de Talentos, o executivo explicou que uma das grandes demandas dos colaboradores era que os líderes acompanhassem as mudanças globais. "As empresas tradicionais estavam acostumadas a ter líderes mais autocentrados, com muita disciplina e que tinham todas as respostas", diz.

De acordo com um estudo da Cia de Talentos apresentado durante o painel, apenas 33% das pessoas estão satisfeitas com suas carreiras.
De acordo com um estudo da Cia de Talentos apresentado durante o painel, apenas 33% das pessoas estão satisfeitas com suas carreiras.
Foto: Breno Damascena/Estadão / Estadão

"Só que o mundo mudou e com isso as pessoas passaram a buscar líderes que tenham a cabeça mais aberta. Líderes mais curiosos e que se adaptassem a esse modelo", afirma Melo.

Ele conta que a transformação da Ambev passou pela evolução de uma empresa que achava que "sabia de tudo" para uma empresa que "não sabia de tudo".

As mudanças no Itaú seguiram um modelo semelhante. "Antes, a gente sabia do mercado. Agora, a gente escuta o que o cliente quer e aplica isso rapidamente. Não adianta ouvir um feedback e esperar seis meses ou um ano para colocar no ar", afirma Sergio Fajerman, diretor de recursos humanos e de comunicação da instituição.

Esse processo, ele conta, demandou uma mudança interna complexa. Hoje, mais de 50% da área de recursos humanos do Itaú é composta por pessoas de tecnologia, design e operações. Outra transformação estrutural da empresa envolveu uma nova leitura sobre o que é autonomia e a importância de reconhecer o impacto do trabalho.

Autonomia, flexibilidade e liderança

De acordo com um estudo da Cia de Talentos apresentado durante o painel, apenas 33% das pessoas estão satisfeitas com suas carreiras e 47%, com sua organização. O levantamento, realizado com 72 mil indivíduos em todo o Brasil, mostra que o trabalho deixou de ocupar um espaço central ou de ser a única forma de felicidade para se tornar parte da vida.

"O trabalho deixou de ser a fonte principal de prazer e identidade", diz Danilca Rodrigues Galdini, sócia-diretora da Cia de Talentos. Nesse contexto, é fundamental que as organizações se esforcem para demonstrar às pessoas o valor que elas têm. "O preço do engajamento mudou. Os colaboradores ainda querem se engajar, mas em troca de uma valorização concreta", afirma.

Fajerman conta que o Itaú incluiu esse reconhecimento como parte relevante da operação. "Modelo de incentivo não é só remuneração. É como o líder se comporta quando acontece algo que não deu super certo. É a atuação no dia a dia, a cultura sendo vivida", enumera. "Adotamos um modelo de influência. A gente comunica a cultura e os porquês."

No entanto, essa autonomia precisa vir com responsabilidade, indica Melo. "Procuramos ancorar esse dilema da autonomia e da flexibilidade no espírito de dono", afirma.

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

Estadão
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