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México consegue moratória de 90 dias para o tarifaço de Trump no último momento

O projeto de Donald Trump para uma nova ordem no comércio internacional enfrenta um teste decisivo nesta quinta-feira (31), com dezenas de países ainda tentando fechar acordos bilaterais com os Estados Unidos antes do prazo final, à meia-noite. Entre os que conseguiram algum avanço, destacam-se México, Coreia do Sul, União Europeia e Japão — enquanto o Brasil foi alvo de uma tarifação agressiva, com alíquotas de até 50%, apesar de concessões pontuais.

31 jul 2025 - 15h37
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O projeto de Donald Trump para uma nova ordem no comércio internacional enfrenta um teste decisivo nesta quinta-feira (31), com dezenas de países ainda tentando fechar acordos bilaterais com os Estados Unidos antes do prazo final, à meia-noite. Entre os que conseguiram algum avanço, destacam-se México, Coreia do Sul, União Europeia e Japão — enquanto o Brasil foi alvo de uma tarifação agressiva, com alíquotas de até 50%, apesar de concessões pontuais.

A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, durante coletiva de imprensa na Cidade do México, em 14 de julho de 2025.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, durante coletiva de imprensa na Cidade do México, em 14 de julho de 2025.
Foto: AFP - HANDOUT / RFI

O México, vizinho estratégico e parceiro-chave na indústria automotiva, conseguiu uma prorrogação de 90 dias para evitar o aumento das tarifas, inicialmente previsto para esta sexta-feira (1°). O anúncio veio após uma conversa telefônica entre Trump e a presidente Claudia Sheinbaum. 

O acordo firmado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para adiar as tarifas sobre as exportações mexicanas por 90 dias "preserva" o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC) com o Canadá, disse a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, nesta quinta-feira (31).

Em sua coletiva de imprensa matinal, após uma ligação com seu homólogo americano, a presidente disse ter alcançado "o melhor acordo possível" em comparação com outras nações que também enfrentam a ameaça de tarifas de Washington.

Apesar disso, as tarifas de 25% sobre produtos mexicanos atualmente em vigor foram mantidas. Produtos inclusos no pacto comercial norte-americano continuam, por ora, isentos.

Brasil: alvo de pressão política

O aumento tarifário imposto pelos Estados Unidos ao Brasil é "injusto", mas o resultado é "mais favorável" do que o esperado, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta quinta-feira (31), ao anunciar negociações em breve com Washington.

Donald Trump anunciou oficialmente na véspera um aumento de 50% nas tarifas sobre as importações brasileiras, que incluem café e carne, dos quais o Brasil é o principal exportador mundial.

No entanto, a penalidade tarifária, que entrará em vigor em 6 de agosto, tem exceções importantes, como suco de laranja, energia, aeronaves civis e seus componentes e fertilizantes, entre outros.

"As nossas observações foram, evidentemente, apreciadas" e "o ponto de partida é melhor do que se esperava, mas nós estamos longe do ponto de chegada, então vai exigir muita negociação", disse Haddad a repórteres.

Haddad anunciou negociações futuras com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, embora ainda não haja data prevista.

"É o começo de uma conversa mais racional, mais sóbria, menos apaixonada", estimou.

Mesmo assim, o ministro observou que o Brasil "vai recorrer" nas "instâncias devidas" nos Estados Unidos e em organismos internacionais.

A ofensiva comercial de Trump é, em parte, uma retaliação ao julgamento de seu aliado, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Quase em paralelo ao anúncio das tarifas, na quarta-feira a Casa Branca anunciou sanções econômicas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que foi relator do julgamento que tornou Bolsonaro réu por tentativa de golpe.

Países que conseguiram acordos

Até o fechamento desta reportagem, Washington havia confirmado acordos com Reino Unido, Vietnã, Japão, Indonésia, Filipinas, Coreia do Sul e União Europeia. Os novos termos tarifários entram em vigor nesta sexta-feira (1º).

A Coreia do Sul, por exemplo, conseguiu, no último minuto, reduzir o impacto de tarifas ameaçadas de 25% para 15%. A União Europeia fechou um pacto com os EUA de 15%, mas ainda negocia isenções para setores sensíveis, como o de vinhos.

Já a Índia foi atingida por uma tarifa de 25% por ser compradora de petróleo russo, enquanto o Canadá continua sem acordo, após atritos políticos causados pela decisão do primeiro-ministro, Mark Carney, de reconhecer um Estado palestino na ONU. Trump foi enfático ao afirmar: "Isso tornará muito difícil chegarmos a um acordo comercial com eles".

Legalidade questionada

Enquanto os países negociam acordos às pressas, a legalidade do plano tarifário de Trump enfrenta desafios judiciais em Washington. O Tribunal de Apelações dos EUA está analisando processos que questionam se o ex-presidente pode usar poderes emergenciais para justificar tarifas amplas com base em "emergências econômicas".

Apesar de uma decisão anterior ter bloqueado a aplicação de várias medidas, o governo conseguiu manter as tarifas em vigor provisoriamente, enquanto recorre da decisão.

Consequências econômicas

Economistas alertam que a nova onda de tarifas pode ter efeito inflacionário e prejudicar cadeias produtivas globais. Mesmo assim, Trump afirmou em sua rede social Truth Social: "As tarifas estão fazendo a América GRANDE e RICA novamente", defendendo sua estratégia com entusiasmo.

Enquanto isso, as incertezas continuam a pairar sobre o comércio global, com um impasse persistente entre os EUA e a China e dezenas de países tentando evitar impactos mais severos.

Os Estados Unidos arrecadaram mais em tarifas nos primeiros seis meses de 2025 do que em todo o ano de 2024, segundo dados do Departamento do Tesouro americano compilados pela AFP.

No total, as receitas superam US$ 87 bilhões (R$ 487 bilhões), em comparação com quase US$ 79 bilhões (R$ 425 bilhões em valores da época) em 2024, de acordo com os dados mensais até o final de junho, atualizados na quarta-feira.

Os números mostram um aumento espetacular desde abril, quando o presidente Donald Trump lançou sua guerra comercial.

(Com agências)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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