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Mercado reduz projeção da inflação para abaixo de 5% e prevê PIB menor em 2026

Mediana do relatório Focus para o IPCA caiu pela terceira semana seguida, de 5% para 4,90%; crescimento esperado para o País no ano foi de 1,93% para 1,89%

14 set 2026 - 09h42
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Resumo
O relatório Focus reduziu a projeção da inflação para 2026 de 5% para 4,90%, marcando a terceira queda seguida, mas ainda acima da meta de 4,50%. As expectativas para o crescimento do PIB também recuaram, caindo para 1,89% em 2026 e 1,45% em 2027. Já as projeções para a taxa Selic e para o câmbio mantiveram-se estáveis no fim deste ano, em 13,75% e R$ 5,20, respectivamente, em meio ao cenário de cautela na política monetária do Banco Central.

BRASÍLIA - A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 caiu pela terceira semana seguida, desta vez de 5% para 4,90% — 0,40 ponto porcentual acima da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. Considerando apenas as 111 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana diminuiu de 5,01% para 4,95%.

A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 oscilou de 4,29% para 4,30%. Um mês antes, era de 4,24%. Considerando apenas as 111 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, aumentou de 4,25% para 4,31%.

A mediana do Focus para a inflação de 2028 seguiu em 3,80% pela sétima semana seguida. Para 2029, seguiu em 3,50%, pela 54ª semana consecutiva.

Juros já caíram um ponto porcentual desde março, quando o BC começou 'ciclo de calibração' da política monetária
Juros já caíram um ponto porcentual desde março, quando o BC começou 'ciclo de calibração' da política monetária
Foto: André Dusek/Estadão / Estadão

No início de agosto, o Banco Central ajustou suas projeções para o IPCA de 2026, de 5,2% para 5,1%, e de 2027, de 3,7% para 3,8%. As estimativas constam no comunicado da reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom). O colegiado manteve a projeção para a inflação acumulada em 12 meses no 1º trimestre de 2028 em 3,2%. O período se tornou o horizonte relevante da política monetária nesta reunião.

A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.

Selic

A mediana do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2026 seguiu em 13,75% pela sexta semana consecutiva. No entanto, considerando só as 98 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano caiu de 13,75% para 13,56%.

A estimativa intermediária do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2027 continuou em 12% pela 13ª semana seguida. Levando em conta apenas as 97 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também seguiu em 12%.

No início de agosto, o Copom reduziu a Selic em mais 0,25 ponto porcentual, de 14,25% para 14% ao ano. Foi o quarto corte consecutivo.

Os juros já caíram um ponto porcentual desde março, quando o BC começou um "ciclo de calibração" da política monetária, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra do Irã sobre a cadeia global de suprimentos, os preços de commodities e a própria inflação.

"O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", afirmou o colegiado na ata da reunião.

A mediana do mercado para a Selic no fim de 2028 seguiu em 10,50% pela 11ª semana. A estimativa para 2029 continuou em 10% pela 19ª semana consecutiva.

PIB

A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 caiu de 1,93% para 1,89%. Um mês antes, era de 1,98%. Considerando apenas as 75 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa diminuiu de 1,89% para 1,86%.

O crescimento esperado pelo mercado está em linha com o previsto pelo Banco Central, de 2,0%, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre.

A mediana do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 caiu de 1,50% para 1,45%. Levando em conta apenas as 75 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa intermediária diminuiu de 1,52% para 1,33%.

As medianas para o crescimento do PIB de 2028 caíram de 1,96% para 1,87%. Há um mês, era de 1,89%. Para 2029, permaneceu em 2,00% pela 78ª semana seguida, respectivamente.

Dólar

A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2026 continuou em R$ 5,20 pela 13ª semana seguida. Considerando apenas as 75 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária também continuou em R$ 5,20.

A mediana para a cotação da moeda americana no fim de 2027 caiu de R$ 5,30 para R$ 5,28. Quatro semanas atrás, era de R$ 5,29.

A projeção para o fim de 2028 continuou em R$ 5,30 pela oitava semana seguida.

A estimativa para 2029 oscilou de R$ 5,35 para R$ 5,36. Há um mês, era de R$ 5,36.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

Estadão
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