Dólar sobe ante real com influência do exterior e de pesquisas eleitorais
O dólar iniciou a semana em alta de 0,68%, cotado a R$ 5,1590, impulsionado pela aversão global a riscos diante do conflito entre Estados Unidos e Irã e por incertezas no cenário doméstico. No Brasil, o avanço da moeda americana reflete a disputa acirrada nas pesquisas eleitorais entre Lula e Flávio Bolsonaro, vista com desconfiança pelo mercado quanto ao controle fiscal, além do aumento da cautela dos investidores em meio à crise institucional no Supremo Tribunal Federal envolvendo o Banco Master.
O dólar iniciou a segunda-feira em alta ante o real, influenciado pelo avanço da moeda norte-americana no exterior e pelo cenário político conturbado no Brasil em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF).
Às 9h30, o dólar à vista subia 0,68%, a R$5,1590 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para outubro -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- tinha alta de 0,59%, aos R$5,1790.
A segunda-feira começou com o dólar em alta ante boa parte das demais divisas no exterior, novamente impulsionado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, que alimentava a busca por ativos mais seguros. Preocupações em torno de possíveis riscos da IA também traziam cautela para os negócios.
Às 9h28, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,47%, a 99,569.
No Brasil, a busca por dólar é reforçada pelo cenário político, após pesquisas eleitorais mais recentes mostrarem uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo Planalto.
Na sexta-feira, pesquisa do Datafolha mostrou Lula com 46% e Flávio com 44% em uma simulação de segundo turno. O resultado representa empate técnico, já que a margem de erro é de 2 pontos percentuais.
Nesta manhã de segunda-feira, a pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula com 47% das intenções de voto, contra 46% de Flávio, também em empate técnico em função da margem de 2 pontos percentuais. Neste caso, porém, Lula voltou a ter vantagem numérica, que no levantamento anterior era de Flávio.
Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias não tão favoráveis a Flávio -- como a da pesquisa BTG/Nexus - têm favorecido a elevação do dólar ante o real.
A crise no STF é outro fator que gera cautela entre os investidores. No fim de semana o presidente da corte, Edson Fachin, chamou para si a relatoria da petição sobre as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O caso irá a julgamento no plenário do STF na terça-feira.
Fachin também marcou o julgamento sobre a conduta do ministro André Mendonça como relator do caso do Banco Master para o dia 23.
Às 11h30, o Banco Central realiza seu leilão regular de rolagem, com oferta de 50.000 contratos de swap cambial tradicional para 1º de outubro.
(Edição de Isabel Versiani)
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