Mercado reduz previsão de Selic ao final do ano para 13,25% e eleva projeção de inflação no Focus
Após o primeiro turno das eleições, o Boletim Focus reduziu a projeção da Selic para o fim de 2026 de 13,50% para 13,25%, prevendo dois cortes de 0,25 ponto percentual este ano. A estimativa da inflação para 2026 subiu pela quarta semana seguida, alcançando 5,22%, enquanto a previsão para o dólar recuou para R$ 5,15. A expectativa de crescimento do PIB manteve-se em 1,85%. A reação positiva dos mercados reflete o otimismo fiscal após a liderança de Flávio Bolsonaro na corrida eleitoral contra Lula.
Economistas consultados pelo Banco Central veem agora a taxa básica de juros em 13,25% ao ano ao final de 2026, ao mesmo tempo que revisaram para cima seus cálculos para inflação medida pelo IPCA ao final deste ano, mostrou o Boletim Focus divulgado pelo BC nesta terça-feira, a primeira versão da pesquisa feita após o primeiro turno da eleição presidencial, realizado no dia 4 de outubro.
De acordo com o levantamento do BC junto a cerca de 100 instituições financeiras, os agentes veem agora dois cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) de novembro e dezembro. Atualmente a Selic está em 13,75% ao ano.
Na semana passada, em pesquisa concluída na sexta-feira anterior ao primeiro turno da eleição presidencial, os agentes viam a Selic em 13,50% ao ano ao término de 2026. Para o fim de 2027, os economistas mantiveram a previsão da Selic em 12,00%.
Os economistas ouvidos pelo BC também estimaram uma alta para 5,22% no IPCA ao final deste ano, ante 5,01% na semana passada, o que representa a quarta semana seguida de elevação na projeção da inflação. Para o ano que vem, a estimativa do IPCA se manteve em 4,30%, enquanto para 2028 foi reajustada para 3,79%, ante 3,80%. A meta de inflação é de 3,00% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Os agentes também alteraram suas estimativas para a cotação do real ante o dólar, vendo agora a moeda norte-americana valendo R$5,15 ao final deste ano, ante R$5,20 na semana anterior, e R$5,26 ao término do ano que vem, ante R$5,28.
As projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foram mantidas em 1,85% para este ano e em 1,40% para o próximo.
Após o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno da eleição presidencial à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) os ativos brasileiros tiveram um rali na semana passada, com o dólar caindo em relação ao real e os juros futuros também registrando quedas. Os agentes de mercado acreditam em uma maior probabilidade de um ajuste nas contas públicas em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, embora o candidato não tenha ainda apresentado planos detalhados neste sentido.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Veja abaixo as principais projeções do mercado para a economia brasileira, de acordo com a pesquisa semanal do BC com cerca de 100 instituições financeiras:
Expectativas de mercado 2026 2026 2027 2027
Mediana Há 1 Hoje Há 1 Hoje
semana semana
IPCA (%) 5,01 5,22 4,30 4,30
PIB (%) 1,85 1,85 1,40 1,40
Dólar (fim de período-R$) 5,20 5,15 5,28 5,26
Selic (fim de período-% a.a.) 13,50 13,25 12,00 12,00
Preços administrados (%) 4,61 4,89 3,84 3,84
Conta corrente (US$ bi) -60,00 -60,00 -59,30 -59,30
Balança comercial (US$ bi) 78,30 78,88 79,00 79,00
IDP (US$ bi) 80,00 80,00 79,00 79,25
Dívida líquida pública (%/PIB) 70,00 70,00 73,75 73,90
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.