Mercado Livre anuncia modalidade de entrega de mercadorias em até 1 hora
A operação será testada em uma área de quatro a cinco bairros da cidade de São Paulo, antes de ser ampliada para os demais locais
O Mercado Livre lançou a modalidade "Envio Agora", que prevê entregas em até 1 hora para itens de até 15 kg via motoboys e ciclistas, inicialmente em testes na capital paulista. A rede também passa a vender medicamentos com receita médica e integrará grandes farmácias ao marketplace até o fim do ano. Para sustentar a rápida expansão do e-commerce no Brasil, a empresa planeja somar 72 centros de distribuição em 2026, com foco em ampliar sua capilaridade logística frente à concorrência.
O Mercado Livre anunciou nesta quinta-feira, 24, que passará a trabalhar com entregas em um prazo de até 1 hora. A nova modalidade se chamará "Envio Agora".
Neste primeiro momento, a operação será testada em uma área de quatro a cinco bairros da cidade de São Paulo. Em seguida, será ampliada para toda a capital paulista, região metropolitana e demais localidades. A companhia não revelou quais são os bairros dessa fase de testes, nem deu prazo para ampliar a cobertura.
"Como tudo que fazemos, começamos pequenos e, depois, a ideia é escalar", afirmou o líder do Mercado Livre no Brasil, Fernando Yunes, durante entrevista à imprensa. "Vamos cobrir toda a cidade com entregas muito rápidas. É um avanço na logística para atender a um novo modelo de entregas."
A entrega em até 1 hora valerá para produtos de até 15 quilos vendidos no marketplace, abrangendo também itens de farmácia e supermercado - segmento nos quais enfrentará concorrentes, como iFood e Rappi, por exemplo.
Como é a operação para acelerar a entrega?
O Mercado Livre vai recorrer a uma rede de entregadores para coleta dos produtos nas lojas e envio até o endereço dos compradores. Em vez de utilizar os caminhões e vans da malha logística padrão, a companhia vai recorrer a motoboys, motoristas de carros e ciclistas para um transporte mais ágil.
"Neste momento não temos uma rede de motoqueiros tão grande, porque estamos começando. Mas vamos criar", disse Yunes, ressaltando que há uma variedade grande de produtos disponíveis para entrega rápida, o que ajudará a dar escala nesse fluxo.
Marketplace vai plugar farmácias o até o fim do ano
O Mercado Livre anunciou também uma expansão relevante na sua operação de venda de medicamentos. A partir de outubro, o grupo terá farmácias dentro do seu site. Hoje, a companhia vende remédios que fazem parte de um estoque próprio, um desdobramento da aquisição da Farmácia Cuidamos, concluída no ano passado.
Nesta nova etapa, o Mercado Livre vai plugar redes de terceiros ao seu marketplace. Serão três farmácias dentro da plataforma em outubro, com previsão de chegar a 20 até o fim do ano. A companhia não revelou os nomes dos participantes.
"Vamos ter o onboarding (integração) até o fim do ano e acelerar o marketplace de farmácias no começo do ano que vem", disse Yunes.
Yunes disse que o modelo segue o já existente em outros setores, nos quais pequenas, médias e grandes empresas estão dentro do marketplace.
"O Mercado Livre é como um grande shopping online, com as lojas dentro. Grandes nomes como Carrefour, Casas Bahia, Decathlon e outros milhares de players já vendem com a gente. Queremos o mesmo modelo para as farmácias", afirmou Yunes. "Não queremos competir com as farmácias. Queremos que estejam dentro do Mercado Livre."
Uma vez que as vendas sejam feitas no marketplace, as entregas poderão ser realizadas pelas próprias farmácias ou pela rede de transportadores do Mercado Livre. Os medicamentos farão parte do grupo de itens disponíveis para entrega feita em até uma hora. Essa modalidade - chamada 'Envio Agora' - foi anunciada hoje pelo grupo, e ainda está em fase de testes, com a cobertura limitada.
Venda de medicamentos sob prescrição médica
Outro anúncio do Mercado Livre é o início da venda de medicamentos sob prescrição médica. Isso abrange desde itens que não exigem a retenção da receita até aqueles que demandam a retenção do documento. A lista de remédios disponíveis vai de antibióticos a canetas emagrecedoras.
O Mercado Livre iniciou, em março, um projeto-piloto para a venda de medicamentos na cidade de São Paulo, o que marcou a entrada da plataforma no varejo farmacêutico brasileiro. A operação começou com escala reduzida, com entregas em até três horas e foco em produtos sem prescrição, como analgésicos, vitaminas e antiácidos.
"Começamos por remédios sem receita. E as buscas no Mercado Livre por remédios é muito grande. Na hora que olhamos o volume de buscas de remédios, vemos que a demanda já está lá", citou Yunes. Segundo ele, a busca é especialmente elevada em categorias de itens que o consumidor não se sente confortável para compra de forma presencial, no balcão das farmácias tradicionais. Como exemplo, citou de medicamentos sexuais até combate ao fumo.
A companhia já opera a venda de medicamentos em outros mercados da América Latina, como México, Colômbia, Argentina e Chile.
Mais 20 centros de distribuição no Brasil em 2026
O Mercado Livre vai inaugurar um total de 20 centros de distribuição neste ano, totalizando 72 unidades de grande porte no Brasil. A maior parte dessas aberturas já ocorreu, e as demais serão concluídas até novembro, quando ocorre a Black Friday.
O grupo soma 3,3 milhões de metros quadrados de galpões logísticos em operação - o que o coloca como principal ocupante desses empreendimentos no País - com Shopee e Amazon na sequência.
A lista de aberturas de 2026 inclui cinco modalidades de operações. A principal delas é o galpão do tipo fulfillment, em que as mercadorias de diversos vendedores ficam armazenadas num único ponto até serem enviadas aos consumidores. Nesta modalidade, são nove novos centros neste ano, chegando a um total de 30 na rede.
As aberturas incluem também receiving centers (pontos de entrada de mercadorias que depois são enviadas aos centros fulfillment); cross docking (pontos de transbordo de cargas entre diferentes rotas e modais de transporte); centros de triagem; e os chamados metro fulfillment centers (dentro de áreas metropolitanas).
O Mercado Livre não revelou as localidades de todas as unidades. Segundo a companhia, há centros de distribuições para reforçar as atividades nas cidades onde a companhia já está presente, assim como em novas localidades. As aberturas estão espalhadas pelo País.
Crescimento do comércio eletrônico
Yunes disse que o objetivo das inaugurações é ampliar a capilaridade das entregas e acompanhar o crescimento do comércio eletrônico, que ainda representa uma proporção pequena das vendas do varejo. "Ao olharmos para frente, vemos que o potencial de seguir crescendo é muito forte", afirmou.
O comércio eletrônico representa 17,7% das vendas totais do varejo no País. O patamar é maior que o de uma década atrás, quando estava em 5,1%, e tem potencial para chegar a 23% até 2029, segundo pesquisa do Morgan Stanley citada por Yunes.
O comércio eletrônico no Brasil tem uma penetração acima da média da América Latina, que está em 14,4%. No entanto, fica atrás de potências como EUA (27%) e China (31%)
"A América Latina tinha uma um gap maior (em relação aos países com economias mais desenvolvidas). Agora, esse gap começa a se reduzir. Acreditamos que o Brasil pode alcançar 25% em 2030, o que é bem relevante", observou o executivo.
Ele citou ainda que é nítida a evolução do comércio eletrônico no Brasil com a expansão da rede logística, novos meios de pagamento (Pix) e mecanismos antifraude. Além disso, as próprias empresas ampliaram o sortimento de produtos e marcas, citou.
"É um processo de amadurecimento de todos os elos da cadeia. Nós acreditamos que esse crescimento vai seguir bem acelerado", afirmou Yunes. "E o Mercado Livre tem tudo para continuar crescendo, ganhando espaço, ganhando market share, como já vem ganhando nesses últimos anos".
Os marketplaces e a crise no varejo
Questionado durante a coletiva de imprensa, Yunes refutou a tese de que os marketplaces tenham contribuído para a crise das varejistas no País. Nos últimos meses, várias empresas entraram em recuperação judicial ou fecharam as portas.
"Acho que é um momento desafiador para o varejo como um todo, mas eu não atribuiria isso aos marketplaces", declarou. "A margem dos players parceiros que entraram no Mercado Livre é maior do que vendendo fora. Foi interessante para eles entrar no marketplace".
Na sua visão, a crise no varejo está relacionada aos juros altos da economia, inadimplência e endividamentos elevados das famílias e um quadro de consumo mais apertado. "Isso acaba refletindo em todo o segmento", opinou.
O líder do Mercado Livre no Brasil ainda minimizou as incertezas provocadas pelas eleições presidenciais, alegando que o grupo é um investidor de longo prazo no País. Portanto, os aportes independem do partido político no governo.
Conforme anunciado anteriormente, o Mercado Livre investirá um total de R$ 57 bilhões nas suas operações locais em 2026. Em dez anos, os aportes totalizaram R$ 175 bilhões nas linhas de investimentos e despesas classificadas internamente como 'estratégicas'.
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