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Mercado já virou a página da eleição, diz Solange Srour, sobre carta golpista de Flávio

Para diretora de macroeconomia Brasil do UBS GWM, preocupação agora é sobre anúncios de ministros e medidas pelo governo e que turbulências políticas são esperadas

28 out 2026 - 19h56
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Resumo
O mercado financeiro superou as eleições e ignora ruídos como a carta de Flávio Bolsonaro, focando na escolha de ministros e propostas do novo governo, afirma Solange Srour, do UBS GWM. Para ela, a prioridade dos investidores está em decisões fiscais e no Fed. Diante da expectativa de maior atrito com um Congresso mais à direita e disputas entre Poderes a partir do próximo ano, a economista recomenda que o governo aprove medidas mais duras e complexas de imediato, ainda na atual legislatura.

O mercado já virou a página da eleição e está de olho no anúncio de nomes de ministros e de propostas do governo eleito, e não em ruídos como a carta golpista de Flávio Bolsonaro, diz Solange Srour, diretora de macroeconomia Brasil no UBS GWM. "Essa carta não vai fazer preço (mexer com a cotação dos ativos) nenhum agora", diz ela.

Segundo Solange, a turbulência política entre os Poderes Judiciário, Executivo e Legislativo é algo que vai mexer com o mercado durante todo o próximo ano, com as mudanças de um Congresso mais à direita. "Já trabalhamos com um cenário turbulento por conta de pautas como a reforma do Judiciário e o impeachment de ministros do Supremo", afirma. "Por isso, esperamos que, se for para o governo aprovar propostas mais duras, isso aconteça ainda este ano porque, em 2027, vai ser mais difícil."

Isso porque, para ela, o governo deveria aproveitar o momento para enviar ao Congresso as medidas mais difíceis de serem aprovadas, enquanto está em terreno conhecido. Objetivo: diminuir a quantidade de discussões no ano que vem e aproveitar a força que obteve nas eleições.

"É meio que governar quatro anos, em dois meses", diz Solange. "É bom tratar desses temas de forma mais apaziguadora logo, porque a gente sabe que essas medidas que implicam mudanças constitucionais serão judicializadas, porque sempre é o que acontece quando se mexe em qualquer gasto obrigatório."

Solange diz que o movimento de Flávio - que divulgou uma carta na qual se autodeclarou o verdadeiro "presidente eleito" do Brasil e, posteriormente, mudou o termo para "líder do Brasil" - faz parte do movimento de polarização do País.

"A gente já sabe que essa pauta vai acontecer e que vai ser inflamada", diz Solange. "Mas o grau de preocupação do mercado e a reação que isso pode ter em empresas e ativos vão depender muito de quem vai ser o presidente do Senado ano que vem."

Para ela, importam mais do que a carta o anúncio do Federal Reserve (FED), o banco central norte-americano, nesta quarta-feira, de manter os juros em 3,75% a 4%. Ou as primeiras entrevistas que eventuais ministeriáveis começam a dar, para entender como pensam. "Flávio faz parte dessa confusão política e jurídica, mas não é o único que causará turbulência", diz ela.

Estadão
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