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Mercado eleva projeção de inflação pela 11ª semana seguida e prevê IPCA a 5,04% ao fim do ano

Movimento reflete escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que provocou disparada nos preços do petróleo

25 mai 2026 - 09h51
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BRASÍLIA - A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 aumentou pela décima primeira semana consecutiva, de 4,92% para 5,04%, distanciando-se ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. O movimento reflete a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que provocou uma disparada nos preços do petróleo.

Considerando apenas as 115 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana passou de 5,04% para 5,07%.

A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 subiu de 4,00% para 4,01%, depois de ficar estável por três semanas. Um mês antes, era de 4,00%. Considerando apenas as 112 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, passou de 4,00% para 4,04%.

A mediana do Focus para a inflação de 2028 ficou estável em 3,65%, depois de ter subido na divulgação anterior. Na ata da sua última reunião, de abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) destacou a preocupação com a desancoragem das expectativas para esse horizonte, que já pode refletir efeitos de segunda ordem do choque de oferta do petróleo.

Mediana para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,25%
Mediana para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,25%
Foto: André Dusek/Estadão / Estadão

"A duração do conflito até esse momento pode ter sido suficiente para materializar alguns riscos, sendo o mais evidente a desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028. Nesse contexto, o comitê reafirma seu compromisso no combate dos efeitos de segunda ordem do choque de oferta do petróleo e seus derivados, e serenidade para reunir mais informações ao longo do tempo, em cenário de incerteza elevada", disse.

A estimativa intermediária para a inflação de 2029 permaneceu em 3,50% pela 38.ª semana consecutiva.

A trajetória prevista pelo mercado segue acima da esperada pelo Banco Central, mesmo depois da revisão das estimativas do Copom na reunião de abril.

Na ocasião, o colegiado aumentou a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, de 3,9% para 4,6%, e para o IPCA de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, de 3,3% para 3,5%.

A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.

Selic

A mediana para a taxa Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,25%. Considerando só as 97 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano subiu de 13,25% para 13,50%.

A estimativa intermediária do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2027 permaneceu em 11,25% pela segunda semana consecutiva. Um mês atrás, era de 11%. Levando em conta apenas as 94 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana passou de 11,50% para 11,38%.

O Copom já promoveu cortes de 0,25 ponto porcentual dos juros nas duas primeiras reuniões de 2026, que levaram a Selic a 14,50% ao ano. Mas alertou, na ata da sua última reunião, que a magnitude e duração do ciclo vão ser determinadas ao longo do tempo, à medida que houver novas informações sobre o conflito.

O Copom destacou que segue com "cautela e serenidade" na condução da política monetária, para que os seus próximos passos possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos, além dos seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços.

"Mantido o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária, o comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises", informou o colegiado.

A mediana do mercado para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10,0% pela 18ª semana seguida. A estimativa para 2029 continuou em 10,0%. Um mês antes, era de 9,75%.

PIB

A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 subiu de 1,85% para 1,89%. Um mês antes, era de 1,85%. Considerando apenas as 76 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa passou de 1,88% para 1,90%.

O crescimento esperado pelo mercado é maior do que o previsto pelo Banco Central, de 1,6%, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre. O Ministério da Fazenda espera alta de 2,33% para o PIB.

A mediana do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 caiu de 1,77% para 1,70%. Levando em conta apenas as 74 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa intermediária passou de 1,80% para 1,70%.

As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,0%, pela 115.ª e 62.ª semanas seguidas, respectivamente.

Dólar

A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,20 para R$ 5,17. Um mês antes, era de R$ 5,25. Considerando apenas as 85 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária passou de R$ 5,10 para R$ 5,20.

A mediana para a cotação da moeda americana no fim de 2027 caiu de R$ 5,27 para R$ 5,26. Quatro semanas atrás, era de R$ 5,35. A projeção para o fim de 2028 oscilou de R$ 5,34 para R$ 5,30, na quarta baixa seguida. A estimativa para 2029 permaneceu em R$ 5,40 pela terceira semana consecutiva.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

Estadão
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