Nubank tem lucro acima de US$1 bi pela primeira vez, acima das projeções; ação salta
O Nubank teve lucro líquido trimestral acima de US$1 bilhão pela primeira vez, superando as estimativas de analistas e fazendo as ações dispararem nesta quinta-feira à noite em Nova York.
A Nu Holdings registrou lucro líquido de US$1,06 bilhão no trimestre de abril a junho, alta de 49% na comparação anual em base neutra por efeitos cambiais. O resultado veio acima da estimativa de US$967,2 milhões da Visible Alpha.
As ações do banco, que tem quase 139 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia, e que se prepara para iniciar operações nos Estados Unidos, saltaram cerca de 9,5% no after-market norte-americano após a divulgação do balanço, para cerca de US$15,25 cada.
O aumento do lucro foi impulsionado por receita maior e por uma melhora na margem financeira líquida ajustada ao risco, disse à Reuters o diretor financeiro Rob Livingston, que assumiu o cargo no mês passado.
A receita total do Nubank cresceu 39%, para US$5,88 bilhões, superando os US$5,60 bilhões esperados pelo consenso da Visible Alpha, enquanto a margem financeira líquida (NIM) ajustada ao risco subiu a 12,4% de 9,9%.
Livingston disse em uma teleconferência com analistas que o patamar da NIM ajustada ao risco é sustentável.
"Acreditamos que os investidores mais otimistas estavam trabalhando com um NIM ajustada ao risco em torno de 11%, o que significa que o resultado superou de forma significativa até mesmo as expectativas de quem já tinha uma visão positiva para o balanço", escreveram os analistas do JPMorgan em relatório.
O custo do crédito, que pesou sobre as ações no trimestre passado após subir a US$1,79 bilhão, recuou desse nível para US$1,69 bilhão, ainda que com alta de 60% na comparação anual.
O Nubank foi beneficiado pelo programa de refinanciamento de dívidas para pessoas físicas Desenrola, lançado pelo governo federal este ano, segundo Livingston.
O executivo disse, porém, que a tendência de melhora existiria mesmo sem o programa, diante de efeitos sazonais e do fato de que o Desenrola impactou apenas 5% do custo total de crédito do banco.
A carteira de crédito do Nubank somou US$39,4 bilhões, crescimento de 37% na comparação anual e alta de 5% em relação ao trimestre anterior.
A carteira "desacelerou um pouco na sequência em termos de taxa de crescimento em relação ao primeiro trimestre", disse Livingston na entrevista, observando, no entanto, que o movimento partiu de uma expansão recente incomumente alta.
O índice de inadimplência de 15 a 90 dias ficou em 4,8%, alta de 0,3 ponto percentual na comparação anual, mas queda em relação aos 5% do primeiro trimestre.
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