Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Latam reduz estimativa de crescimento de demanda para junho, com disparada no preço do combustível

Custo do querosene de aviação subiu 89% desde o começo do ano; repasse de aumento para o passageiro dependerá da resiliência do consumo, diz o executivo

5 mai 2026 - 20h41
Compartilhar
Exibir comentários

Em decorrência da alta do preço do combustível provocada pela guerra no Oriente Médio, a Latam deverá ter um crescimento na demanda mais tímido em junho do que o inicialmente projetado. A estimativa era de que a alta ficasse em 10% no mês, mas, agora, o número previsto é de 7%, de acordo com o CEO da empresa no Brasil, Jerome Cadier. "É um ajuste pontual em função do preço do combustível e dos preços das passagens", disse ele nesta terça-feira, 5, em entrevista com jornalistas.

O executivo afirmou que, até agora, a empresa não cancelou de forma relevante voos por causa da cotação do querosene de aviação e destacou que não há risco de desabastecimento de combustível — ao menos por ora — nas bases em que a Latam opera. Ele acrescentou que a companhia acompanha a situação com fornecedores, mas ressaltou que há incertezas no cenário.

"Temos acompanhado com nossos parceiros um potencial risco (de desabastecimento), mas isso depende muito do que acontecer nas próximas semanas e meses em relação à disponibilidade de combustível. Hoje, não temos risco mapeado."

A companhia pagava cerca de US$ 90 pelo barril de querosene de aviação no começo deste ano. Para o segundo e o terceiro trimestre, a estimativa é de que o preço fique ao redor de US$ 170 — um aumento de 89%. A empresa espera que a cotação caia para US$ 150 no fim do ano.

De acordo com o diretor financeiro da Latam, Ricardo Bottas, a companhia consome cerca de 3 milhões de barris por mês. Se o preço se mantiver na casa dos US$ 170 nos próximos meses, o custo com combustível por trimestre alcançará US$ 1,5 bilhão.

O grupo estima que a despesa adicional com querosene entre abril e maio ficará em US$ 700 milhões. No primeiro trimestre, o impacto foi de aproximadamente US$ 40 milhões.

Sobre a proposta da Petrobras de parcelamento do aumento do querosene, Cadier afirmou que a medida não reduz os preços e ainda adiciona custo financeiro às companhias. "O aumento será pago com custo financeiro. O problema não é financiamento, é custo. A gente precisa lidar com o nível de preços."

Questionado sobre o repasse do incremento para o passageiro, Bottas disse que isso ainda está em avaliação. "A gente observa a resiliência da demanda e a capacidade de absorver esse aumento de custos, sempre olhando as condições do mercado."

Diante das incertezas no setor por causa da guerra, a Latam suspendeu suas estimativas (guidance) de crescimento de oferta para este ano, que antes eram de uma alta entre 8% e 10%. A empresa continua com projeção para seu Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado: entre US$ 3,8 bilhões e US$ 4,2 bilhões.

Resultado do primeiro trimestre

O grupo Latam registrou lucro líquido de US$ 576 milhões no primeiro trimestre de 2026. A cifra representa uma alta de 62,1% em relação a igual intervalo do ano anterior. O Ebitda ajustado atingiu US$ 1,3 bilhão, alta anual de 36,7%

A companhia gerou US$ 391 milhões em caixa, mantendo a liquidez total acima de US$ 4,1 bilhões, ou 27% da receita dos últimos doze meses.

Durante o trimestre, o grupo aumentou sua capacidade em 10,4%, transportando 22,9 milhões de passageiros, aumento de 9,1% em comparação com o mesmo período de 2025. O crescimento foi impulsionado pelo desempenho do segmento internacional e pelo mercado doméstico da Latam Brasil.

Estadão
Compartilhar
TAGS

Comentários

As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra