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Lagarde minimiza temores de inflação de segunda ordem

22 jun 2026 - 10h23
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O choque inflacionário enfrentado pela ‌zona do euro é grande demais para ser ignorado, mas não o suficiente para elevar as expectativas de preços no longo prazo ou gerar efeitos de segunda ordem perigosos, afirmou nesta segunda-feira a presidente do Banco Central Europeu, ⁠Christine Lagarde.

O BCE elevou as taxas de juros neste mês, ‌após a inflação ter ultrapassado 3%, e os investidores agora especulam se o banco tomará novas medidas para ‌conter as pressões sobre os preços ‌e impedir que as expectativas se afastem de ⁠sua meta de 2%.

Lagarde, que anteriormente havia descrito três cenários de ação, afirmou nesta segunda-feira que a zona do euro está passando pelo cenário intermediário de um desvio não muito persistente, o que exige algum ajuste moderado na política ‌monetária.

"Por enquanto, estamos no segundo caso", disse ela em uma ‌audiência perante comissão ⁠do Parlamento ⁠Europeu. "O choque é grande demais para ser ignorado sem comprometer nossa meta."

"Mas ⁠ainda não vemos indícios ‌de desancoragem das expectativas ‌de inflação ou de efeitos de segunda ordem que justifiquem uma resposta de política monetária mais enérgica nesta fase", acrescentou Lagarde.

O choque atual parece ser menor do ⁠que o episódio de 2021/22, quando o banco teve que elevar os juros em um ritmo recorde, disse ela, e o contexto também é diferente, considerando um mercado de trabalho mais forte, ‌rendas mais altas e desafios de oferta pós-pandemia.

Ainda assim, o BCE não deve ser complacente, pois a formação dos ⁠salários pode estar mais sensível a novos choques, dada a recente experiência do bloco com inflação elevada, acrescentou Lagarde.

Reiterando as perspectivas do banco para o crescimento, Lagarde argumentou que os investimentos, particularmente em IA, estão se mantendo estáveis e que as famílias também apresentam balanços patrimoniais sólidos, proporcionando alguma proteção para uma economia que ainda está fadada a sofrer com as consequências dos custos mais elevados da energia.

"As perspectivas permanecem incertas, com riscos de alta para a inflação e riscos de queda para o crescimento econômico", disse Lagarde.

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