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Krugman: acordo de Trump por petróleo da Venezuela é 'imperialismo' e terá benefício quase nulo

Segundo o vencedor do Nobel de Economia, recuperação da infraestrutura venezuelana custará bilhões de dólares, e boa parte do petróleo do país é de extração difícil e cara

1 set 2026 - 09h53
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Resumo
O Nobel de Economia Paul Krugman classificou o plano de Donald Trump para controlar o petróleo da Venezuela como "imperialismo extrativista", alertando para altos custos diplomáticos e ganhos quase nulos para os EUA. Contestando a promessa de combustíveis mais baratos, Krugman afirma que o retorno financeiro é irrelevante frente à riqueza americana e aponta entraves como a infraestrutura degradada, o custo de extração e o risco de expropriações futuras antes de qualquer resultado prático.

O vencedor do Nobel de Economia Paul Krugman afirma que o acordo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para ampliar o controle americano sobre reservas de petróleo da Venezuela representa uma tentativa de apropriação de recursos nos moldes do "imperialismo extrativista" do século 19, mas com benefícios econômicos praticamente nulos para os EUA.

Em análise publicada em sua conta no Substack nesta terça-feira, 1.º, Krugman diz que a iniciativa "validou tudo o que a esquerda latino-americana já disse sobre o imperialismo dos EUA" e poderá gerar custos diplomáticos e estratégicos por décadas. Segundo ele, o acordo não estaria ligado à promoção da democracia, ao combate ao crime ou ao terrorismo, mas a uma tentativa direta de acessar o petróleo venezuelano.

Trump afirmou na semana passada que Washington obteve "controle majoritário" de mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas da Venezuela, por meio de parceria com empresas privadas, e disse que a operação mais do que dobraria as reservas americanas e reduziria substancialmente os preços dos combustíveis.

Krugman contesta a promessa. Ele calcula que, mesmo atribuindo margem de lucro de US$ 20 por barril aos 65 bilhões de barris citados por Trump, o valor econômico máximo do acordo seria de cerca de US$ 1,3 trilhão, distribuído por muitos anos. O montante seria pequeno diante da riqueza total dos EUA, estimada por ele em US$ 167 trilhões.

O economista também questiona a viabilidade do plano. A recuperação da infraestrutura petrolífera venezuelana exigiria dezenas de bilhões de dólares e poderia levar anos ou décadas, enquanto parte das reservas do país, especialmente na Bacia do Orinoco, principal rio da Venezuela, seria de extração difícil e cara. Krugman ainda vê risco de futuros governos venezuelanos recusarem os termos ou expropriarem investimentos americanos.

Na avaliação dele, o acordo tampouco deve aliviar os preços da gasolina no curto prazo, já que qualquer aumento relevante da produção levaria anos. Trump tem na agenda desta terça-feira, às 14h30 (de Brasília), reunião fechada com varejistas e refinarias de petróleo e gás na Casa Branca. Ontem, o secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, disse que o encontro discutiria formas de reduzir os preços do combustível no país.

Estadão
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