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Juros curtos ficam estáveis; longos caem com aposta sobre Selic e quadro político

29 mai 2019
18h43
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O movimento de redução de inclinação da curva de juros, que começou no fim da manhã desta quarta-feira, 29, ganhou força na etapa vespertina na medida em que as taxas de longo prazo aprofundaram a queda junto com o dólar, que encerrou no patamar de R$ 3,97. Já a ponta curta ficou entre a estabilidade e viés de alta. Além do otimismo com o cenário político, que vem empurrando as taxas para baixo desde a semana passada, o movimento de hoje teve reforço de declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sinalizando cautela em torno da possibilidade de cortes iminentes da Selic.

Nos curtos, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 6,33%, de 6,309% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 passou de 6,611% para 6,600%. Nos longos, as taxas voltaram a renovar pisos históricos. O DI para janeiro de 2023 terminou com taxa de 7,66%, de 7,731% ontem no ajuste, e o DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 8,22%, de 8,361%.

A redução de prêmios em função da melhora do cenário político, após o ritmo intenso dos trabalhos no Congresso, e a percepção de fraqueza da economia mantêm-se como pano de fundo a sustentar o movimento do mercado e as taxas longas já chegam a níveis surpreendentes. Para Renan Sujii, estrategista de mercado da Harrison Investimentos, há quase nenhuma dúvida de que a reforma da Previdência será aprovada e a questão agora é o timing e o valor da economia fiscal. Segundo ele, as manifestações do domingo mostraram apoio de parte relevante da população e, "com uma articulação política pouco mais azeitada entre Executivo e Legislativo", a expectativa é de que o texto seja aprovado com "boa potência fiscal", mesmo excluindo-se as mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e na aposentadoria rural.

Na política monetária, em meio à crescente pressão do mercado por um corte na atual Selic de 6,50% tendo como argumento principal a fraqueza da atividade, Campos Neto voltou a rechaçar qualquer movimento do Copom que tolere uma inflação maior em troca de estímulo ao PIB. "Temos sim preocupação com o crescimento econômico e achamos que a melhor forma de colaborar com isso é entregarmos a inflação na meta. Não queremos cair na tentação de tolerar inflação mais alta em troca de crescimento", voltou a dizer.

Na leitura do mercado, pode até não haver um afrouxamento monetário iminente, mas como a retomada da economia deve demorar e já há sinais de arrefecimento da inflação, as expectativas de inflação devem começar a ser revistas para baixo, ainda mais com o câmbio nestes níveis. Desse modo, a queda da Selic seria questão de tempo.

Nesse contexto, a precificação para a Selic no Copom de junho ficou mais conservadora, com a probabilidade de manutenção do patamar de 6,50% caindo de 92% para 88% entre ontem e hoje, enquanto a chance de aperto em 0,25 ponto porcentual subiu de 8% para 12%, segundo a Quantitas Asset. Por outro lado, a precificação de queda na reunião de julho cresceu, de -6,36 para -8,14 pontos.

Estadão
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