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Japão reabre mercado para carne bovina da Argentina após 20 anos

Decisão garante entrada em um dos destinos cujas importações de carne bovina superam US$ 3 bilhões ao ano; ministro da Economia da Argentina comemorou resultado nas redes sociais

30 set 2026 - 12h28
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Resumo
Após 20 anos de negociações, o Japão liberou a importação de carne bovina desossada e língua de áreas com vacinação contra febre aftosa da Argentina, abrindo todo o território do país sul-americano a um mercado de US$ 3 bilhões anuais. A medida inclui o norte argentino e depende apenas de auditorias técnicas em frigoríficos. O avanço ocorre em meio à alta no setor, cujas exportações argentinas faturaram US$ 2,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, impulsionadas pela valorização global da proteína.

O governo do Japão autorizou a entrada de carne bovina desossada e língua oriundas de zonas livres de febre aftosa com vacinação na Argentina, o que libera o acesso da proteína produzida em todo o território do país sul-americano ao mercado japonês. Segundo a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca e o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa), a decisão encerra um pleito diplomático iniciado em 2006 e garante a entrada em um dos destinos cujas importações de carne bovina superam US$ 3 bilhões ao ano.

A abertura abrange as regiões produtoras do norte argentino, somando-se às permissões concedidas desde 2018 para o sul do país — área reconhecida como livre da doença sem vacinação, mas com participação reduzida nos volumes exportáveis. As tratativas ganharam ritmo a partir de 2024 e avançaram em fevereiro de 2026, quando o Comitê de Sanidade Animal do Japão avaliou que o risco de introdução da febre aftosa via carne desossada do norte argentino seria extremamente baixo, mediante salvaguardas adequadas.

Em publicação na rede social X, o ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, comemorou o resultado e destacou a solidez do sistema sanitário e a qualidade do produto do país. "As vendas externas a partir da nova zona autorizada começarão após uma missão de auditoria técnica de inspetores japoneses para a habilitação dos frigoríficos interessados", disse.

A consolidação do acesso ao mercado japonês ocorre em um cenário de alta nas receitas do setor frigorífico argentino. No primeiro semestre de 2026, as exportações de carne bovina da Argentina somaram 411,71 mil toneladas, alta de 10% em volume e de 44,7% em receita na comparação anual, com faturamento de US$ 2,20 bilhões, diante da valorização das cotações internacionais da proteína.

Para 2027, projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que a produção bovina argentina deve atingir 3,14 milhões de toneladas, com exportações mantidas em 800 mil toneladas.

Estadão
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