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Japão dá indícios de possível mudança em alocação das aposentadorias, mas oferece poucos detalhes

14 jul 2026 - 09h21
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Autoridades japonesas sinalizaram ‌nesta terça-feira a possibilidade de mudanças na alocação de ativos dos gigantescos fundos de pensão estatais do país, embora não tenham dado nenhuma pista sobre o momento ou a magnitude de qualquer mudança.

A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, afirmou que o Japão poderá considerar ajustar a alocação de ativos dos fundos caso o ambiente de investimentos sofra ⁠mudanças bruscas.

"A mudança no ambiente incluiria um aumento da atratividade dos ativos japoneses, à medida ‌que o governo impulsiona vigorosamente sua estratégia de crescimento", disse Katayama em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira.

Ela afirmou que os detalhes de qualquer mudança devem ser definidos ‌em conjunto com o Ministério da Saúde, Trabalho e ‌Bem-Estar, que supervisiona os fundos de pensão estatais.

O ministro da Saúde, Trabalho ⁠e Bem-Estar, Kenichiro Ueno, disse em outra coletiva de imprensa que o ministério analisará a possibilidade de revisar a alocação de ativos do Fundo de Investimento de Pensões do Governo (GPIF), se necessário, mas minimizou a possibilidade de quaisquer mudanças no curto prazo.

O ambiente de investimento "não se desviou significativamente do que está previsto na carteira básica", disse Ueno.

Ele acrescentou ‌que o GPIF buscaria apoiar o crescimento econômico "aumentando de forma constante os investimentos em projetos ‌domésticos, incluindo private equity japonês".

Os ⁠comentários atenuaram especulações do ⁠mercado sobre uma iminente reformulação da carteira do GPIF, o maior fundo de pensão do mundo, ⁠que administrava 293,6 trilhões de ienes (US$1,81 trilhão) ‌em ativos no final de março. ‌Qualquer mudança significativa em sua estratégia poderia causar repercussões nos mercados globais.

O iene e os títulos do governo japonês (JGB) dispararam depois que Katayama afirmou na sexta-feira que o governo buscaria maneiras de incentivar os fundos de pensão, incluindo o GPIF, ⁠a fazer "investimentos substancialmente maiores em ativos financeiros japoneses".

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De acordo com seu plano de gestão atual, o GPIF aloca 25% em títulos domésticos, 25% em títulos estrangeiros, 25% em ações domésticas e 25% em ações estrangeiras. Para os títulos domésticos, permite uma margem de desvio ‌de seis pontos percentuais em relação à alocação-alvo.

Fontes informaram à Reuters na segunda-feira que o Japão não tem planos imediatos de alterar as alocações-alvo de ativos de seus ⁠fundos de pensão estatais, mas poderia atuar dentro dos intervalos permitidos existentes para direcionar mais investimentos para ativos nacionais.

O GPIF tem a obrigação de investir exclusivamente no interesse dos beneficiários das aposentadorias e não pode utilizar seus ativos para promover objetivos de políticas governamentais.

No entanto, alguns analistas afirmaram que os comentários de Katayama na semana passada abriram caminho para que o fundo aumente suas participações em títulos do governo japonês (JGBs), medida que poderia ajudar a conter os aumentos nos rendimentos e aliviar a pressão sobre os custos de endividamento do governo.

Analistas também afirmaram que uma repatriação em grande escala dos ativos do GPIF do exterior poderia dar suporte ao iene, que permanece próximo aos menores patamares em várias décadas, em parte porque as taxas de juros do Japão ainda estão bem abaixo das de outras grandes economias.

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