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IPCA sobe 0,33% em janeiro e taxa em 12 meses acelera em meio à perspectiva de cortes de juros

10 fev 2026 - 09h06
(atualizado às 10h08)
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Os preços ao consumidor no Brasil iniciaram 2026 com alta de 0,33% em janeiro, repetindo a mesma taxa do mês anterior, mas o avanço acumulado em 12 meses acelerou em meio à indicação pelo Banco Central de que pode iniciar os cortes de juros ‌em março.

Posto de gasotinha no Rio de Janeiro
10/07/2025. REUTERS/Pilar Olivares
Posto de gasotinha no Rio de Janeiro 10/07/2025. REUTERS/Pilar Olivares
Foto: Reuters

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 4,44% nos 12 meses até janeiro, de 4,26% em dezembro, mostraram dados do Instituto Brasileiro de ‌Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.

O resultado deixa a inflação no começo do ano mais longe do centro da meta contínua -- 3,0% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

As expectativas em pesquisa da Reuters eram de altas de 0,32% na comparação mensal e de 4,43% em 12 meses.

"Apesar da surpresa altista tanto no índice geral quanto nos núcleos, o número de hoje não muda a dinâmica esperada para os próximos meses, que ‍é de desinflação consistente", avaliou Lucas Barbosa, economista da AZ Quest. "Os próximos meses deverão exibir uma figura bastante benigna, com o índice cheio atingindo um vale de 3,3% em julho".

Janeiro foi marcado por alta nos combustíveis, mas queda na luz elétrica residencial.

Segundo o IBGE, os combustíveis tiveram alta de 2,14% no mês, sendo que a gasolina subiu 2,06% e exerceu o maior impacto individual no resultado de janeiro. ‌Os preços de etanol (3,44%), óleo diesel (0,52%) e gás veicular (0,20%) também avançaram.

Em janeiro, os preços dos combustíveis receberam impulso ‌de um aumento da alíquota do ICMS, compensando os recentes cortes nos preços promovidos pela Petrobras.

Com isso, o grupo Transportes subiu 0,60%, mas ainda desacelerou ante o avanço de 0,74% em dezembro.

Por outro lado, o grupo Habitação apresentou queda de 0,11% em janeiro diante do recuo de 2,73% nas contas de energia elétrica residencial com a bandeira tarifária verde.

"Na estrutura do IPCA a gasolina apresenta peso de 5,07% e a energia elétrica residencial de 4,16%, ou seja, são os subitens com as maiores participações nas despesas das famílias, na ótica do indicador", disse Fernando Gonçalves, gerente do IPCA.

A alta dos preços de Alimentação e bebidas, grupo que tem o maior peso no IPCA, desacelerou a 0,23% em janeiro, de 0,27% em dezembro. Houve quedas do leite longa vida (-5,59%) e do ovo de galinha (-4,48%), mas tomate (20,52%) e carnes (0,84%) registraram aumentos.

A inflação de serviços desacelerou a 0,10% em janeiro, de 0,72% em dezembro, e em 12 meses a alta chegou a 5,29%. O resultado do mês teve como destaques as quedas de transporte por aplicativo (-17,23%) e passagens aéreas (-8,90%), considerados voláteis.

O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, teve em janeiro alta a 64%, de 60% no mês anterior.

No final de janeiro, o Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros Selic em 15% ao ano e indicou que iniciará um ciclo de corte de juros em março, mas enfatizou que manterá "a restrição adequada" para levar a inflação à meta.

Na véspera, o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, disse que o atual momento da política monetária não deve ser lido como uma "volta da vitória".

"Dada a sinalização do ‌Copom em iniciar o ciclo de cortes em março, não vemos o resultado como um fator que altere a decisão do Copom. Esperamos um corte de 50 pontos-base na reunião de março, mas um Copom mais cauteloso ao longo de 2026, com a Selic alcançando 12,50% em dezembro", disse André Valério, economista sênior do Inter.

A última pesquisa Focus do BC mostra que a projeção para o IPCA era de alta de 3,97% em 2026, indo a 3,80% em 2027.

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