Investidor internacional teme desaceleração ainda maior da economia americana
Nosso mercado tem sido atrativo com os preços de ativos e com a melhora na percepção de risco
Nesta semana o Banco Central manteve a Selic a 13,75% ao ano, e, nos EUA, o Fed elevou mais uma vez a taxa de juros, que atingiu a 3,25% ao ano. Altas esperadas, mas que mostram que a manutenção de juros nas alturas vai continuar por mais tempo. Inflação e risco fiscal estão presentes nos mercados. No caso brasileiro, continuamos com a maior taxa de juros reais do mundo.
Por outro lado, a ação antecipada do nosso banco central em relação a outros ao redor do mundo tem trazido alguns indicadores positivos. Embora juros altos não combinem com crédito, inibem o investimento empresarial e o consumo, combatem a inflação. A questão é: como isso afeta a vida do investidor?
O caminho imediato é o que tem sido falado de forma geral, o de buscar-se posição de menor risco e ancorando em renda fixa. Mesmo com a manutenção dos juros no nosso mercado, aplicar em títulos indexados a inflação, como o Tesouro Selic +, é ainda boa alternativa. Aqueles mais ativos devem ficar atentos aos sinais de queda nos juros para buscar mais ganhos nos prefixados. Por outro lado, o investidor deve pesquisar outras oportunidades, como os CDBs, LCAs, LCIs, principalmente de instituições menores que oferecem taxas atrativas. Lembrando que esses títulos são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos bancários.
Para o investidor de Bolsa, a vida não continua nada fácil, embora com menores sustos. Para o investidor internacional, o cenário está mais desafiador ainda. Após a pior perda de seis meses em mais de 50 anos, o S&P 500 e os outros índices tiveram um período de subida, mas já enfrentam maior volatilidade negativa.
O temor é de que a desaceleração daquela economia, e ao redor do mundo, piore muito, e o mercado permaneça em baixa por mais tempo. Isso trouxe à tona a citação do investidor Peter Lynch: "Você tem recessões, você tem quedas no mercado de ações. Se você não entende que isso vai acontecer, então você não está pronto. Você não vai se dar bem nos mercados". Há vários sinais de que os especialistas encontram no mercado norte-americano de que a recessão pode ser mais profunda, como a curva de rendimentos do Tesouro de dois anos versus 10 anos, que se inverteu mais uma vez, o que significa que o investimento de curto prazo está rendendo mais do que o de longo prazo. Outro sinal é a redução do crescimento do setor de habitação.
A sinalização de que os juros nos EUA continuam subindo torna os títulos públicos americanos (treasuries) mais atrativos, o que pode tirar dinheiro dos emergentes, Brasil incluído. Por ora, nosso mercado tem sido atraente para o investidor internacional por conta dos preços baixos dos ativos e da melhora na percepção de risco do País frente aos pares globais.