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"Integração é prioridade", diz vice do Itaú Unibanco

28 abr 2009 - 10h07
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Ricardo Rego Monteiro

Aos 35 anos, o engenheiro Ricardo Villela Marino tem sido preparado cuidadosamente pelos acionistas do Itaú Unibanco para assumir, em um futuro próximo, o cobiçado posto de comando do maior banco brasileiro. Apesar de ser bisneto de Alfredo Egydio de Souza Aranha, fundador do Itaú, Marino tem na experiência como vice-presidente para América Latina e Caribe da instituição a mais forte credencial para o futuro posto. Filho de Milú Villela, uma das mais importantes acionistas do Itaú Unibanco, Marino atualmente ocupa a presidência da Federação Latino-americana de Bancos (Felaban) e a diretoria para América Latina da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Aos que aguardam movimentos mais agressivos de consolidação do Itaú Unibanco, o executivo avisa que a instituição só deve partir para novas aquisições, principalmente na América Latina, apenas a partir de 2011. Antes disso, os olhos do banco estarão voltados para a conclusão do complexo processo de fusão iniciado no fim do ano passado. "Tão logo terminemos essa lição, vamos analisar novas oportunidades", ressalta. Confira a seguir os principais trechos da entrevista:

O Itaú Unibanco negocia, atualmente, alguma nova aquisição na América Latina?

Marino - Se estivesse, eu não poderia falar, mas o mercado que nos interessa é o Brasil. O Brasil é nossa prioridade. Nossa prioridade é fazer uma boa integração (com o Unibanco). Estamos investindo toda nossa energia, todo nosso tempo, em uma boa integração de sistemas, pessoas e culturas. E isso demora uns dois anos. Enquanto isso, não vamos nos distrair. Enquanto não tivermos uma empresa muito sólida no país de origem, não vamos procurar outros mercados.

Mas existe efetivamente um planejamento de expansão depois que essa integração for concluída?

Temos uma vocação latino-americana e, dentro de 10 anos, queremos ter uma posição global. Mas isso é mais para o longo prazo. Primeiro temos que fazer bem feito nossa lição de casa, que é essa execução. Tão logo terminemos essa lição, provavelmente em 2011, vamos analisar novas oportunidades de empresas, situações e mercados que venham agregar valor aos nossos acionistas, dentro e fora do mercado brasileiro.

No Brasil há empresas que estão vendendo ativos. Por exemplo, o ING está interessado em desinvestir a parcela deles na Sul América. O mercado de seguros interessa ao Itaú?

A resposta é afirmativa. O Itaú Unibanco tem liderança já em vários segmentos de negócios, mas o setor de seguros é um que tem possibilidade de crescer, de se desenvolver de forma bastante interessante. Portanto, se houver oportunidade de associações ou compras de carteiras e operações, com certeza o banco vai analisar para ver se está alinhado à estratégia do banco e se vai agregar valor para os acionistas e para os clientes. Em seguros temos realmente um "catch up" para fazer.

O enfraquecimento dos bancos no exterior favorece a estratégia de expansão internacional do Itaú Unibanco, com o surgimento de possíveis operações de aquisição?

A boa notícia é que o Brasil é parte da solução, e não do problema. Aqui, não houve nenhuma falha bancária, não houve nenhuma corrida para saques bancários; não houve nenhuma injeção de dinheiro público ou de contribuintes para salvar os bancos; os bancos estão funcionando normalmente, de maneira saudável - estão bastante sólidos e capitalizados. Esse é o caso do Itaú Unibanco. Com a fusão, temos um patrimônio, hoje, de R$ 45 bilhões, uma carteira de crédito de quase R$ 300 bilhões; tem um pool de talentos de primeiro time bem posicionado.

Mas se surgirem oportunidades...

Eu digo para você que a administração do Itaú Unibanco não quer comprar nada barato. Quer comprar eventualmente, depois de concluída a fusão, ativos bons, de boa qualidade. As vezes, o barato sai caro. Você pode comprar bancos por R$ 1 e ter um passivo gigantesco. Então, se formos analisar, não queremos nada barato; queremos ativos de qualidade, no momento correto.

Então o objetivo, a curto prazo, é melhorar o que já tem, e não buscar novas aquisições?

Exatamente, nosso objetivo, a curto prazo, é melhorar a eficiência, ganhar na escala, focar na integração, de modo a fazer uma excelente integração de sistemas, de pessoas e até mesmo de culturas, que é um diferencial competitivo da instituição.

O mercado de crédito já dá sinais de melhora?

O mercado de crédito já dá sinais, sim, de melhora, graças à participação do Banco Central, injetando liquidez, e a organismos multilaterais, que deram apoio a bancos médios para melhorar o crédito. Também se deveu a incentivos fiscais e tributários, como a isenção do Imposto sobre Produção Industrial (IPI) sobre os automóveis. Já vemos o crédito para financiamento de veículos melhorando significativamente. Então, esse pode ser visto, sim, como um sinal de que o pior já pode ter ficado para trás e que os bancos vão fazer a sua parte e estender crédito para os clientes de bom risco, tanto de pessoa jurídica quanto de pessoa física, de modo a incentivar novos investimentos e consumo.

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Fonte: Invertia Invertia
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