Inflação desacelera em maio e fica em 0,58%; resultado é o maior para o mês desde 2021
Taxa acumulada pela inflação em 12 meses foi de 4,72% até maio, acima do teto da meta do BC, de 4,50%; com alta de 1,33%, alimentação respondeu por metade do resultado do período
RIO - A inflação oficial no País desacelerou na passagem de abril para maio, com a ajuda da queda nos preços dos combustíveis. No entanto, os alimentos ainda pesaram no orçamento das famílias, assim como os gastos com energia elétrica e saúde. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou maio com alta de 0,58%, ante um avanço de 0,67% em abril, informou nesta sexta-feira, 12, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado de maio foi o mais elevado para o mês desde 2021. Como consequência, a taxa acumulada em 12 meses acelerou pelo terceiro mês consecutivo, subindo a 4,72%, a mais acentuada desde setembro de 2025. O índice se distancia assim ainda mais do teto de 4,50% da meta de inflação (de 3,00%) perseguida pelo Banco Central.
O qualitativo da inflação segue preocupante, mas com leve melhora influenciada por serviços, avaliou Francisco Luis Lima Filho, economista sênior do banco ABC Brasil.
"Com a divulgação de hoje e o atual choque do petróleo esperamos um IPCA de 5,2% para 2026 e de 3,9% para 2027. A falta de resolução do conflito deverá manter os níveis do petróleo bruto Brent elevados e o IPCA acima do limite superior da meta (4,5%) nos próximos meses", previu Lima Filho, em relatório.
Além de um contínuo impacto da guerra no Oriente Médio, os dados de maio apontam pressões de demanda doméstica aquecida e problemas de oferta, afirmou o economista Carlos Lopes, do Banco BV. Com isso, Lopes relembra que o Comitê de Política Monetária do Banco Central indicou continuar o ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, mas uma pausa agora também seria plausível.
"Já há sinais bem relevantes de pressões inflacionárias para isso", disse Lopes.
Qual foi o impacto dos preços dos combustíveis?
Os recuos nos preços da gasolina, etanol e óleo diesel ajudaram a deter a inflação em 0,13 ponto porcentual em maio. A gasolina exerceu o maior alívio, com recuo de 1,46% e uma contribuição de -0,08 ponto porcentual. O óleo diesel diminuiu 2,34%, impacto de -0,01 ponto porcentual, e o etanol caiu 6,20%, -0,04 ponto porcentual. Já o gás veicular subiu 5,81%. A passagem aérea também aumentou, 3,20%, uma pressão de 0,02 ponto porcentual.
O custo dos alimentos subiu em maio pelo sexto mês consecutivo. O grupo Alimentação e bebidas teve uma elevação de 1,33% em maio, respondendo por metade do IPCA de maio.
"A alta em Alimentação e bebidas é a maior para um mês de maio desde 2015", ressaltou Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE.
Qual foi a variação no preço dos alimentos?
O preço dos alimentos para consumo em casa subiu 1,65% em maio, sexto mês de aumentos consecutivos, além de maior resultado para meses de maio desde 2008. O frete ainda está onerando o preço dos alimentos, mas também teve menor oferta dos produtos que ficaram mais caros, justificou Gonçalves.
Houve altas na batata-inglesa (44,69%), tomate (20,62%), cebola (16,80%), e carnes (1,39%). Na direção oposta, houve recuos no café moído (-2,38%) e frutas (-0,70%). O café já acumula uma queda de 12,25% em 12 meses.
"O café está com avanço na colheita, o preço está caindo já há 11 meses consecutivos", disse Gonçalves. "Há expectativa de safra recorde no Brasil. Tem tendência de queda de preço da commodity internacionalmente, isso favorece o preço ao consumidor final."
A alimentação fora de casa subiu 0,49% em maio: o lanche aumentou 0,49%, e a refeição teve elevação de 0,51%.
Segundo Gonçalves, a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã pode estar afetando os preços dos alimentos nos últimos três meses tanto via frete, por causa dos combustíveis, quanto via fertilizantes também mais caros. "Isso acaba alocado no preço final", disse.
Qual foi a maior 'vilã' em maio?
A maior vilã individual da inflação em maio foi a energia elétrica residencial, que subiu 3,67%, uma pressão de 0,15 ponto porcentual. "Teve a bandeira tarifária amarela e teve reajuste em várias áreas", ressaltou Fernando Gonçalves.
A energia elétrica incorporou reajustes efetivados em Aracaju, Fortaleza, Salvador, Campo Grande, Recife e Belo Horizonte. Além dos reajustes, houve a entrada em vigor da bandeira tarifária amarela, com acréscimo na conta de luz de R$ 1,885 a cada 100 kwh consumidos.
Em saúde, houve aumentos nos artigos de higiene pessoal (1,95%, com destaque para o avanço de 4,42% no perfume), e no plano de saúde (0,50%).
O economista sênior da 4intelligence Fábio Romão vê sinais de que o IPCA desacelere para uma alta de 0,25% em junho, com dissipação das pressões altistas vistas em maio.
"Tal movimento, projetamos, estará ligado em boa medida à parcial descompressão de Alimentação e bebidas, o que é sazonal, e responde à descompressão que vem sendo registrada em alguns preços agropecuários no atacado", justificou Romão, em relatório. Com Letícia Correia
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