Indústria perde impulso em maio, mas emprego ainda é elevado
Por enquanto, baixo desemprego mantém um cenário razoavelmente positivo, mas é difícil dizer se esse quadro se manterá até as eleições
Com recuo de 0,2% em maio, depois de quatro meses de alta, a produção industrial ainda acumulou aumento de 0,40% em 12 meses e de 1,40% no ano, em comparação com igual período de 2025. Os próximos dados poderão indicar se o resultado de maio foi uma perda passageira ou o início de uma fase de menor dinamismo, num quadro já afetado por juros básicos elevados (atualmente em 14,25%). As limitações políticas do período eleitoral impedirão ou restringirão novas medidas governamentais de estímulo à indústria.
As condições de emprego permanecem, por enquanto, favoráveis. Em maio, a indústria contratou 4.974 pessoas com carteira assinada. Outros setores — como serviços (45.655), construção civil (12.096) e agropecuária (10.205) — contrataram contingentes muito maiores, mas a absorção de mão de obra pelo setor industrial tem sido, normalmente, mais modesta que a de outras atividades. Os números são do Ministério do Trabalho e Emprego.
Neste século, o avanço da indústria, especialmente do segmento de transformação, tem sido bem menor que os do setor extrativo, da agropecuária e dos serviços. Pelo menos em parte, isso ajuda a explicar a expansão comparativamente menor do emprego nas fábricas. Algumas deficiências industriais, especialmente na modernização tecnológica e na integração internacional, foram diagnosticadas há anos e têm recebido atenção do Ministério da Indústria, do Comércio e do Desenvolvimento.
Com a perda de maio, a produção industrial ainda ficou 4,5% acima do nível de fevereiro de 2020, mês anterior ao início da pandemia, mas 13% abaixo do pico atingido em maio de 2011. Na comparação com abril, o recuo mais importante, de 6,1%, ocorreu no segmento de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis. O segundo pior resultado (-2,6%) foi contabilizado nas indústrias extrativas. Do lado positivo, os ganhos de produção foram liderados por produtos farmoquímicos e farmacêuticos (+13,1%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (+4,1%).
Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo duráveis proporcionaram o único resultado mensal positivo, com aumento de 3,6% em relação ao volume de abril, quando a perda de 3,1% sucedeu a três meses consecutivos de expansão. Por enquanto, o baixo desemprego mantém um cenário razoavelmente positivo, mas é difícil dizer se esse quadro se manterá até as eleições, até porque as ações do governo estarão legalmente limitadas nesse período e os juros continuarão elevados por muitos meses.
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