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Índice de ESG no futebol vai mapear desde relação com bets até gestão de resíduos de times no Brasil

Idealizado pelo Movimento Sustentabilidade em Campo, mapeamento terá parceria da CBF para coleta de dados dos clubes do Campeonato Brasileiro

3 ago 2026 - 12h05
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As boas práticas relacionadas ao ESG já são amplamente praticadas pelos clubes de futebol no Brasil? É esse o ponto de partida do Índice Brasileiro de Sustentabilidade no Futebol (IBSF), sistema que pretende fazer um diagnóstico de como está a relação dos 40 times que compõem as séries A e B do Campeonato Brasileiro com temas sociais, ambientais e de governança.

A iniciativa é do Movimento Sustentabilidade em Campo, organização voltada para o desenvolvimento de ações de ESG na cadeia de valor do esporte, e conta com o apoio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Os temas em torno do IBSF serão discutidos ao longo do Fórum Sustentabilidade em Campo, que acontece nesta segunda-feira, 3, em São Paulo.

O lançamento do diagnóstico possibilitado pelo IBSF está previsto para o início de 2027, como explica o presidente do Movimento Sustentabilidade em Campo, Marcelo Linguitte, em entrevista ao Estadão. Segundo ele, a preocupação com o tema acompanha a necessidade de observação de boas práticas, à medida que os clubes têm se tornado cada vez mais semelhantes a organizações empresariais.

Para Linguitte, por muito tempo, o futebol mexeu com grandes valores financeiros, mas não acompanhou a agenda como outros segmentos de mercado na mesma velocidade.

"Se pensar no futebol como uma indústria esportiva, ela acabou ficando um pouco refratária a isso. Como todo segmento que gera muito recurso sem grande necessidade de acompanhar tendências, foi um setor reacionário, em uma certa medida, em assimilar algo que vinha como uma demanda da sociedade por transparência, por cobrança."

Só em 2024, quase metade dos times que disputaram a série A do Campeonato Brasileiro seguiam o formato de Sociedade Anônima do Futebol (SAF), um modelo criado no Brasil pela Lei nº 14.193/2021 para transformar clubes de futebol em empresas. Também cresceu a relação dos times com grandes companhias patrocinadoras, que já costumam lidar com demandas de ESG, o que exige que as agremiações também se alinhem à agenda.

Além disso, Linguitte destaca que o poder do futebol de engajar grandes multidões no País é uma maneira de os clubes promoverem conscientização por meio da transparência sobre suas práticas. E, nesse processo, o IBSF pretende ser um facilitador, uma vez que já há pontualmente clubes que se destacam nessas iniciativas pelo Brasil.

"Como avaliar se os clubes estão progredindo nesse tema, para que daí eles consigam mobilizar as suas torcidas? Ter alguma ferramenta de mensuração de práticas é o caminho. Foi daí que surgiu a ideia de fazer o IBSF, desenvolvendo as perguntas e a metodologia que pudessem responder a uma questão de governança e de transparência."

Da relação com as bets à gestão de resíduos: o que será avaliado

Ao todo, os clubes receberão 86 perguntas, que estão passando por validação até setembro, para serem respondidas a partir de outubro. É esperado que os times retornem as respostas em 45 dias, incluindo também dados documentais que validem as informações prestadas. A ausência de retorno também será entendida como resposta e será identificada no índice.

Com base nas respostas e mediante critérios técnicos, os clubes serão categorizados segundo seu desempenho nas perguntas. Os resultados passarão por auditoria e serão divulgados para o público, após serem apresentados para os times. A previsão é que o processo seja repetido anualmente, para que possa ser observada a evolução dos clubes.

Marcelo Linguitte é presidente do Movimento Sustentabilidade em Campo
Marcelo Linguitte é presidente do Movimento Sustentabilidade em Campo
Foto: Divulgação/ Fórum Sustentabilidade em Campo / Estadão

No quesito de boas práticas ambientais, o questionário foca em emissões de gases de efeito estufa, gestão de resíduos, eficiência energética, educação ambiental de torcedores, entre outras. Já a questão social mira no envolvimento e engajamento com diversas causas sociais, como, por exemplo, projetos relacionados à diversidade e inclusão.

Na dimensão de governança, os pontos a serem mapeados abordam temas como: participação de mulheres nos conselhos, transparência nos contratos de jogadores, além de existência de código de ética e de mecanismos de combate à corrupção. Nesse ponto, há perguntas relacionadas ao nível de envolvimento com as plataformas de apostas esportivas, as chamadas bets.

Sobre as bets, o ponto é identificar, por exemplo, o porcentual de patrocínio delas frente ao orçamento do clube e se há processos para identificação e tratamento de práticas irregulares com relação às apostas. "É um ponto fundamental, pois, se por um lado não dá para negar a existência delas, também não dá para ficar uma coisa solta. Há de se ter controle e acompanhamento", diz Linguitte.

Dimensão social tende a ser destaque no diagnóstico

Dado o cenário de atuação dos clubes na agenda ESG, é possível que as temáticas sociais sejam diagnosticadas como as de maior atuação dos times pelo questionário. Para Linguitte, o pilar social é um pouco mais avançado no cenário do futebol, encabeçado tanto por debates relacionados ao combate ao racismo quanto pela existência de fundações e projetos sociais financiados por clubes e por jogadores.

Os pontos mais desafiadores estão nos demais pilares. "Mesmo havendo necessidade de avanços grandes no social, é um tema que já está colocado. Então, há espaços que ainda precisam ser ocupados: a questão da transparência, que é um ponto fundamental, e as questões relacionadas ao impacto ambiental, que é algo que necessita de atenção."

Com a avaliação contínua dos avanços nesses pontos, com o auxílio do IBSF e parceria da CBF, a proposta é que os clubes passem primeiro por um processo educativo, inicialmente livre de sanções. No entanto, não está descartado que futuramente possa haver alguma regulamentação que cobre dos times as boas práticas que ainda não foram realizadas.

"(Haverá inicialmente) um processo educativo, de envolvimento dos clubes, de sensibilização. Nesse primeiro momento, é um processo mais pedagógico. Posteriormente, pode ser que evolua para alguma coisa nesse sentido (regulatório)."

Estadão
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