Lula diz que vai acabar com as bets: 'Times que aprendam a viver sem lavagem de dinheiro'
Presidente diz que não é possível deixar ludopatia acabar com o povo
O presidente Lula declarou que pretende acabar com as bets no Brasil, alertando para os riscos do vício em apostas e afirmando que os clubes de futebol devem viver sem lavagem de dinheiro. Em reunião com ministros e o Banco Central, o governo debateu o alcance do veto, avaliando se proibirá todo o setor ou apenas os cassinos online, que geram até 80% das receitas. Uma eventual proibição exigirá compensação na arrecadação pública e devolução de valores pagos pelas empresas para se legalizarem.
BRASÍLIA E RIO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quarta-feira, 23, que irá acabar com as bets no Brasil. A declaração foi feita durante um ato com artistas no Rio. "Nós vamos acabar com as bets e os times que aprendam a virar times de empresários. Não é uma guerra, é uma decisão", disse o presidente.
Lula afirmou ainda que os clubes brasileiros terão de aprender a viver sem "lavagem de dinheiro" e que o vício em apostas - cientificamente chamada de ludopatia - não pode tomar conta dos brasileiros.
"A minha preocupação é hoje tem uma parte da juventude atrelada aos algoritmos e, se a gente não fizer essa luta, os algoritmos vão ganhar. Por isso que eu não tenho nenhum problema de dizer que eu terei o imenso prazer de acabar com as bets", declarou o presidente.
Nesta quarta, Lula participou de uma agenda com artistas no Centro do Rio para tentar angariar votos a partir do setor cultural. Ao lado dele, estiveram presentes nomes como os cantores Chico Buarque, Daniela Mercury, Lulu Santos, Paulinho da Viola, Tony Bellotto e Zeca Pagodinho, as atrizes Malu Mader e Marieta Severo e a apresentadora Cissa Guimarães.
Pela manhã, Lula se reuniu com ministros no Palácio da Alvorada para debater o tamanho da restrição do funcionamento das bets no Brasil. A pauta era decidir entre proibir cassinos online, como o "Jogo do Tigrinho" e manter apostas esportivas ou vetar a atuação de todo o setor.
Participaram os ministros do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti; da Fazenda, Dario Durigan; da Casa Civil, Miriam Belchior; e da Comunicação Social, Sidônio Palmeira. Também participou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O encontro durou cerca de três horas.
Lula tem dito há meses que pretende acabar com as bets no Brasil - que foram regulamentadas em seu governo. A primeira vez foi em abril, em entrevista ao ICL. Enfatizou que essa seria sua vontade, mas que tinha consciência que não necessariamente o caminho adotado pelo governo.
Nas últimas semanas, essa discussão ganhou mais espaço na campanha presidencial. Lula se reuniu com pessoas com ludopatia (vício em jogo) no Palácio da Alvorada para ouvir histórias de cidadãos e cidadãs que se endividaram por causa de apostas. Também reuniu representantes da sociedade civil para receber informações sobre os malefícios desses jogos.
O principal impasse no momento é sobre se o governo proibirá apenas os jogos de azar (como o famoso "tigrinho") ou toda a modalidade de apostas esportivas. Cálculos do setor dão conta de que os cassinos online representam de 70% a 80% das receitas das bets.
Como mostrou o Estadão, caso proíba a atividade, o governo terá de compensar a perda de arrecadação e devolver parte do dinheiro que as bets pagaram para se legalizar no Brasil.
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