Impostos na França atingiram limite e cortes de gastos são inevitáveis, diz Tribunal de Contas
A França não pode mais contar com o aumento de impostos para controlar suas finanças públicas e deve mudar decisivamente o foco para o corte de gastos, ao enfrentar o segundo ano consecutivo de contas públicas pressionadas, alertou o tribunal de contas nacional nesta quinta-feira.
A meta de déficit do governo de 5% do PIB para 2026 -- que já havia sido flexibilizada em relação aos 4,7% iniciais -- permanece "altamente incerta" depois que os parlamentares descartaram diversas economias importantes no orçamento da seguridade social, afirmou a Cour des Comptes, o Tribunal de Contas francês, em um relatório sobre o estado das finanças públicas neste início de ano.
O Tribunal afirmou que o orçamento do governo para 2026 depende excessivamente de cerca de 12 bilhões de euros em tributos adicionais, principalmente da prorrogação quase total de um imposto adicional sobre grandes empresas.
Outras medidas de aumento de receita originalmente propostas foram abandonadas ou atenuadas, e o órgão de fiscalização das finanças públicas alertou que as medidas restantes poderiam ter um desempenho inferior se a inflação ficar abaixo do previsto ou se as empresas fizerem ajustes para limitar o impacto nos lucros.
Considerando que a França já apresenta a maior carga tributária da zona do euro, o Tribunal afirmou que novos aumentos para reduzir o déficit "correriam o risco de prejudicar a competitividade e afetar o emprego", tornando os cortes de gastos inevitáveis.
No entanto, o lado das despesas do orçamento também acarreta riscos significativos.
A previsão é de que as despesas aumentem apenas 0,3% em 2026, considerando a inflação, numa desaceleração sem precedentes, mas o Tribunal alertou para prováveis excessos orçamentários após o parlamento ter descartado medidas como o aumento das coparticipações médicas e o congelamento das aposentadorias.
Mesmo que a meta de déficit para 2026 seja atingida, a dívida da França ainda subiria para 118,6% do Produto Interno Bruto (PIB), tornando o país mais vulnerável ao aumento dos juros e sujeito a um aperto maior das despesas no final da década.