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Impacto do tarifaço: Abipesca pede ao governo crédito emergencial de R$ 900 milhões

Entidade diz que o setor enfrenta 'grave crise de capital de giro' pela dificuldade de redirecionar produção para o mercado interno; acelerar o acordo com a União Europeia é alternativa

21 jul 2025 - 15h36
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BRASÍLIA E RIO - A Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca) pediu ao governo federal a liberação de R$ 900 milhões de crédito emergencial ao setor para "mitigar os impactos imediatos" da tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil. Em nota, a Abipesca informou que o pedido da criação de uma linha emergencial de crédito para as indústrias exportadoras de pescado foi formalizado em ofício ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, protocolado no Palácio do Planalto.

A Abipesca propõe a abertura de linha de crédito emergencial de R$ 900 milhões com seis meses de carência e prazo de 24 meses para pagamento. A entidade argumenta que o setor enfrenta uma "grave crise de capital de giro" pela dificuldade de redirecionar a produção que seria comercializada aos Estados Unidos, já que o mercado interno não absorve os cortes específicos para exportação.

"O setor está sem alternativa no curto prazo. Sem crédito, não há como manter os estoques, honrar compromissos e preservar os empregos. Essa linha emergencial é crucial para evitar um colapso imediato e dar fôlego até que se encontre uma solução duradoura", justifica o presidente da Abipesca, Eduardo Lobo, em nota.

Na nota, a Abipesca lembra que cerca de 70% dos pescados exportados pelo Brasil vão para o mercado norte-americano. A entidade estima que cerca de R$ 300 milhões em produtos estejam parados em portos, embarcações e unidades industriais desde o anúncio da taxação norte-americana.

"Caso não haja uma resposta rápida, 35 indústrias e aproximadamente 20 mil trabalhadores, incluindo pescadores artesanais, podem ser impactados com cortes e paralisações", alegam as indústrias de pescado.

No documento enviado a Lula, a Abipesca também pede que o governo federal intensifique as negociações para reabertura do mercado europeu, fechado às exportações brasileiras de pescado desde 2017.

As exportações de pescados brasileiros ao bloco europeu foram suspensas pelo próprio Ministério da Agricultura, por recomendação das autoridades sanitárias europeias.

O fim do embargo é uma das principais demandas do setor produtivo ao governo Lula. Agora, o setor quer a prioridade da retomada da exportação de pescados brasileiros à União Europeia (UE) como alternativa de direcionamento de fluxo comercial aos Estados Unidos.

Esse caminho é apontado pelo professor Ronaldo Cavalli como uma opção, até mesmo ao considerar que o mercado europeu está em vias de assinar o tão esperado acordo com os países do Mercosul.

"Uma saída, mais diplomática, seria a exportação para o mercado europeu. Estamos, desde 1999, tentando fechar um acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que parece estar em vias de ser assinado", afirma Cavalli, professor do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo).

Ele defende o aumento do número de compradores para os produos brasileiros. "Não podemos, como diz o ditado, botar todos os ovos em uma mesma cesta", finaliza.

Para especialista, mercado interno é a melhor alternativa

Na avaliação do Cavalli, o mercado interno pode ser a melhor alternativa para a produção de pescado brasileiro afetada pela taxação dos EUA, assim como ocorreu com o camarão no passado.

Segundo o especialista, pescados como a tilápia, lagosta, pargo e alguns tipos de atum são os principais produtos afetados pela taxação no setor, já que grande parte de sua produção é destinada à exportação para os Estados Unidos.

"Uma das alternativas que vejo é apostar no mercado doméstico, assim como já aconteceu com o camarão no passado. A gente produz muito camarão aqui, principalmente na região Nordeste. Mas esse camarão não é mais exportado para os Estados Unidos, como no início do século, quando o mercado americano era o principal destino por conta da proximidade e do custo", afirma o pesquisador, especialista em aquicultura e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática.

Em 2003, os pescadores de camarão norte-americanos acusaram produtores de seis países, entre estes o Brasil, de dumping, ou seja, de vender seus produtos no exterior a um preço abaixo do custo interno, e entraram com uma ação antidumping.

Na época, os produtores americanos eram responsáveis por cerca de 10% do camarão consumido nos Estados Unidos, enquanto exportadores supriam os outros 90% com crustáceos produzidos em viveiros.

A ação surtiu efeito. Em 2005, teve início a cobrança da tarifa antidumping e os produtos passaram a ser taxados. Na época, metade da produção brasileira era destinada aos Estados Unidos.

A ação teve impacto principalmente no Nordeste, já que a carcinicultura (criação de camarão em cativeiro) era uma atividade geradora de empregos e divisas para a região, detentora de 98% de todo camarão produzido no País.

"Durante esses anos em que a gente não pôde exportar o camarão, descobrimos o mercado interno. Hoje em dia, o Brasil exporta muito pouco camarão. Quase todo o crustáceo que antigamente era vendido para o exterior hoje é consumido localmente no mercado brasileiro. Essa pode ser uma saída, principalmente para a tilápia", completa Cavalli.

Estadão
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