Ibovespa tem queda modesta em dia de acomodação após tombo; incertezas persistem
O Ibovespa caiu 0,51% nesta terça-feira, a 175.710 pontos, acomodando-se após o tombo de 14% na véspera gerado pela reeleição de Lula. O mercado segue volátil diante de incertezas sobre a condução da política fiscal e a formação ministerial. Ações de peso como Vale e Petrobras recuaram pressionadas pelas commodities, enquanto o setor bancário operou em baixa. Papéis do varejo e construção tiveram correções parciais, mas investidores seguem cautelosos à espera de sinais de equilíbrio fiscal.
O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira, em pregão de acomodação na bolsa paulista após fortes perdas na véspera com o desfecho da eleição presidencial no país, enquanto persistem incertezas sobre o próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,51%, a 175.710,05 pontos, mas chegou a 178.526,08 pontos na máxima do dia. Na mínima, marcou 175.130,23 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$72,23 bilhões.
Na segunda-feira, o Ibovespa caiu quase 14%, na maior queda desde 2020, após a reeleição de Lula contrariar expectativas no mercado de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) e uma possível agenda mais favorável a um ajuste fiscal.
Levantamento da Elos Ayta apurou que as empresas listadas na B3 perderam um valor de mercado consolidado de R$734 bilhões na véspera.
Agentes financeiros atribuíram o movimento de segunda-feira a desmonte de posições que apostavam na vitória de Flávio, não necessariamente a fundamentos, mas apontaram aumento de incertezas sobre as perspectivas fiscais do país.
Em Brasília, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta terça-feira mais cedo que reafirmou a Lula a necessidade de dar uma sinalização propositiva ao mercado e que o governo já tem medidas prontas para apresentação, incluindo a que permite a busca do centro da meta fiscal.
A declaração não foi suficiente para uma melhora mais sólida, com investidores preferindo esperar para ver os planos para o quarto mandato de Lula.
De acordo com o analista Matheus Villela, da gestora de patrimônio Aware Investments, a performance do Ibovespa nesta sessão mostra que o ambiente segue volátil e marcado por incertezas.
"O foco dos investidores agora se desloca da eleição para a condução da política econômica. O mercado aguarda, sobretudo, a definição do nome para o Ministério da Fazenda e algum sinal concreto do governo de compromisso com o equilíbrio das contas públicas", afirmou.
Na visão de Villela, enquanto essa sinalização não vier, a tendência é que a volatilidade permaneça elevada, com os preços bastante sensíveis a cada notícia vinda de Brasília.
DESTAQUES
• VALE ON recuou 2,14%, em meio ao declínio dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian fechou o pregão diurno com queda de 0,9%. Também no radar está o balanço da mineradora do terceiro trimestre, previsto para quinta-feira, após o fechamento do mercado.
• PETROBRAS PN caiu 2,02%, com a fraqueza do petróleo no exterior também no radar. O barril do Brent fechou em queda de 1,8%, a US$113,88. O Goldman Sachs prevê que a Petrobras deverá manter os preços do diesel vendido a distribuidoras inalterados até o fim do ano, após o governo brasileiro ter decidido prorrogar por mais 30 dias os subsídios ao combustível.
• BANCO DO BRASIL ON fechou em queda de 0,52%, sem conseguir sustentar o sinal positivo que apresentou em parte da sessão, chegando a uma alta de 4,8% no melhor momento. Na véspera, o papel encerrou o dia com um tombo de mais de 29%. BRADESCO PN terminou com decréscimo de 1,38%, ITAÚ UNIBANCO PN perdeu 1,22 % e SANTANDER BRASIL UNIT, que divulga balanço na quarta-feira, caiu 1,63%. BTG PACTUAL UNIT subiu 0,42%. O Citi rebaixou as ações do BB para venda e do Bradesco para neutra, enquanto manteve Itaú e BTG com recomendação de compra.
• B3 ON avançou 2,19%, em sessão de ajustes, embora tenha arrefecido ante a máxima do dia (+4,71%). Na véspera, a ação fechou com um tombo superior a 36,28%, após afundar quase 50% no pior momento. Em Nova York, XP subiu 1,62%, experimentando uma trégua após desabar mais de 48% na segunda-feira. Analistas do Citi cortaram a recomendação para ambos os papéis para "neutra", avaliando que juros mais altos e a incerteza fiscal devem continuar pressionando o apetite por risco, as entradas líquidas de recursos, a atividade de negociação e as emissões no mercado de capitais. "Embora a qualidade dos negócios permaneça sólida, vemos um ambiente operacional menos favorável."
• MAGAZINE LUIZA ON saltou 8,49%, em dia de correção, após afundar mais de 58% na segunda-feira.
• TENDA ON subiu 10,2%, também com ajustes, assim como DIRECIONAL ON, que fechou com elevação de 5,35%, endossadas ainda por relatório do JPMorgan, que elevou a recomendação de ambos os papéis para "overweight". CURY ON, que também teve upgrade, avançou 3,55%. Na contramão, MRV&CO ON recuou 5,71%, CYRELA ON caiu 3,16% e EZTEC ON, que não faz parte do Ibovespa, perdeu 6,25%. O JPMorgan manteve MRV&Co com recomendação neutra, mesma classificação que agora estabeleceu para Cyrela e Eztec, que eram "overweight".
• GERDAU PN caiu 2,75%, em pregão negativo no setor siderúrgico, com investidores também analisando o balanço da companhia no terceiro trimestre, que mostrou lucro líquido ajustado de R$1,52 bilhão, alta de 39,7% ano a ano. O vice-presidente financeiro do grupo, Rafael Japur, disse nesta terça-feira que a principal operação da Gerdau, a América do Norte, deve ter volumes de venda menores no quarto trimestre, mas margem de lucro operacional estável na comparação trimestral.
• BRASKEM PNA, que não faz parte do Ibovespa, disparou 16,35%, também recuperando-se de fortes perdas na véspera. No sábado, a petroquímica informou que, após diversas reuniões com seus principais acionistas e investidores, nenhuma das propostas relacionadas ao plano de recuperação extrajudicial foi aceita e as partes ainda não chegaram a um acordo quanto aos termos de uma reestruturação de dívidas da ordem de US$10,9 bilhões da petroquímica. No entanto, afirmou que as negociações foram prorrogadas até 30 de outubro.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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