Ibovespa recua com exterior negativo e risco político no radar
O Ibovespa recuou 1,35% nesta segunda-feira, pressionado pelo cenário externo negativo e pelo aumento do risco político doméstico. No exterior, pesaram a queda nas ações de inteligência artificial e a alta de 4% do petróleo por tensões no Oriente Médio. No Brasil, o mercado repercutiu o empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em novas pesquisas eleitorais, além de tensões no STF ligadas ao Banco Master, gerando forte aversão ao risco e derrubando grandes setores da bolsa, como a Vale e bancos.
O Ibovespa recuava nesta segunda-feira, contaminado pelo viés negativo no exterior, em meio a alertas sobre inteligência artificial e avanço de 4% do petróleo.
A percepção de aumento de risco político com os últimos eventos envolvendo a crise do Supremo Tribunal Federal (STF) e as investigações envolvendo o Banco Master também pressionava o sentimento de agentes financeiros, que ainda repercutiam novas pesquisas eleitorais nesta sessão.
Por volta de 10h50, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, cedia 1,35%, a 184.673,05 pontos. O volume financeiro somava R$4,31 bilhões.
Pesquisa BTG/Nexus divulgada antes da abertura nesta segunda-feira mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) soma agora 42% das intenções de voto no primeiro turno, ante 39% na pesquisa da semana passada, ao passo que o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 37%, ante 35% no levantamento anterior.
O cenário de segundo turno continuou mostrando empate técnico, mas com Lula voltando a liderar com 47%, ante 45% na pesquisa anterior, enquanto Flávio se manteve com 46% das intenções de voto.
Também nesta manhã a pesquisa Quaest divulgada pelo jornal O Globo mostrou Flávio com 42%, enquanto Lula soma 40% em um eventual segundo turno. Na pesquisa anterior, divulgada há uma semana, ambos estavam empatados numericamente com 41%. Ambos permanecem em empate técnico.
O Nexus ouviu 2.003 pessoas entre os dias 11 e 13 de setembro e a Quaest ouviu também 2.003 pessoas, mas entre os dias 10 e 13 de setembro.
Na visão de estrategistas do JPMorgan, a eleição presidencial brasileira de 2026 é o principal catalisador doméstico para os ativos brasileiros neste ano.
"As pesquisas eleitorais vêm mostrando uma disputa mais apertada e agora estão dentro da margem de erro, tornando o resultado altamente incerto e reforçando a perspectiva de volatilidade elevada nos mercados no período em torno da eleição."
Investidores também continuam monitorando os potenciais desdobramentos da crise no STF e da retirada de sigilo de parte das investigações sobre o Banco Master, em particular as informações relacionadas ao filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ministro Flávio Dino, do STF, retirou no domingo o sigilo das investigações que apuram se houve desvio de emendas parlamentares para a realização do filme "Dark Horse" e determinou que a Polícia Civil de São Paulo encaminhe à Polícia Federal o material coletado nas investigações sobre o caso.
"O risco político aumentou", avaliou o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, destacando que notícias sobre o caso já haviam interrompido parcialmente o trade pró-Flávio na sexta-feira, diante do receio de que novas revelações possam atingir sua campanha.
No exterior, o presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, defendeu no sábado que empresas de IA diminuam o ritmo de avanço das capacidades dos modelos por receio de uso indevido da inteligência artificial, o que foi endossado por Elon Musk, que dirige a xAI, e pelo CEO da OpenAI, Sam Altman.
Em Nova York, o S&P 500 recuava 0,55%, em pregão marcado por queda de ações de empresas ligadas à IA em todo o mundo.
Em paralelo, o barril de petróleo sob o contrato Brent avançava 4,07%, a US$108,87, depois que novos ataques a infraestruturas energéticas e civis da Arábia Saudita e ataques iranianos a navios no Golfo agravaram as preocupações com o abastecimento, após o fechamento de um importante oleoduto saudita.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN avançava 0,41%, apoiada pela alta dos preços do petróleo no exterior, que sustentava o sinal positivo também em outras petrolíferas da bolsa.
• VALE ON caía 2,39%, em dia de queda dos futuros do minério de ferro na China. No setor de mineração e siderurgia, CSN ON perdia 4,05%, GERDAU PN recuava 2,8% e USIMINAS PNA era negociada em baixa de 2,44%.
• ITAÚ UNIBANCO PN caía 1,59%, em meio ao viés mais negativo no pregão como um todo. BRADESCO PN perdia 1,61%, BANCO DO BRASIL ON recuava 2,09%, SANTANDER BRASIL UNIT mostrava declínio de 1,37% e BTG PACTUAL UNIT cedia 1,86%.
• MRV&CO ON caía 4,88%, em pregão negativo para construtoras, com o índice imobiliário na B3 recuando 2,81%.
• AMBEV ON avançava 1,28%, recuperando-se após uma abertura mais negativa, quando chegou a cair 1,6%.
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