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Ibovespa fecha em queda e acumula quarto mês seguido no negativo

30 jun 2026 - 17h05
(atualizado às 17h45)
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O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira, confirmando mais um desempenho mensal negativo, mas ‌se afastou da mínima do dia, registrada após dados sobre o mercado de trabalho no Brasil mais fracos do que o esperado. 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,68%, a 172.024,12 pontos, acumulando um declínio de 1,01% em junho. No segundo trimestre, a perda alcançou 8,24%, reduzindo a alta no ano para 6,76%. Na mínima do dia, o Ibovespa recuou a 170.538,48 pontos. Na máxima, marcou 173.204,72 pontos. 

O volume financeiro nesta sessão somou R$22,5 bilhões, ante uma média diária no mês de cerca de R$30 bilhões.

Junho representou o quarto mês seguido com sinal negativo, com parte do desempenho atrelado a uma nova saída de estrangeiros ⁠das ações brasileiras.

Dados da B3 registram um saldo negativo de R$8,75 bilhões no mês até o dia 26 (excluindo IPOs e follow-ons). No ano, o resultado ainda está positivo, em ‌R$32,88 bilhões. 

De acordo com estrategistas, a reversão no fluxo de estrangeiros desde meados de abril está relacionada a mudanças nas expectativas relacionadas a taxas de juros, bem como rotação de capital de volta para ações de tecnologia nos EUA e na Ásia.

A agenda do dia no Brasil também incluiu dados mostrando que a dívida bruta ‌do país como proporção do PIB fechou maio em 81,1%, contra 80,2% no mês anterior. Já a dívida ‌líquida do setor público foi a 67,9%, de 67,2%.

À tarde, o Ministério do Trabalho divulgou que o Brasil abriu 72.960 vagas formais de emprego em ⁠maio, abaixo do esperado por economistas e foi o mais fraco para o mês desde 2020.

Os números fizeram as taxas dos DIs firmarem queda, o que ajudou a tirar o Ibovespa das mínimas.  

De acordo com o especialista de alocação da Blue3 Investimentos, Gabriel Felix, os números sobre a geração de empregos no Brasil mostram que a economia está passando por um período mais apertado, o que contribui para o trabalho do Banco Central.

Tal cenário, acrescentou, corrobora as expectativas de um novo corte, mesmo que pequeno. "É o que o mercado já espera, pelo menos mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, deixando a taxa em 14% até o ‌final do ano."

A bolsa paulista teve mais uma sessão descolada de Wall Street, onde o S&P 500 fechou em alta de 0,79%.  

Na visão de Felix, o Brasil deixou de ‌acompanhar parte das movimentações das bolsas globais, em razão ⁠de algumas incertezas domésticas, incluindo um cenário ⁠fiscal "bem desequilibrado" e um cenário de juros ainda elevado.

A proximidade das eleições no país, citou, também freia a confiança do investidor. 

DESTAQUES

• BRASKEM PNA recuou 3,78%, tendo no radar nesta sessão ⁠relatório do JPMorgan cortando a recomendação das ações para neutra, bem como o preço-alvo da petroquímica de ‌R$15 para R$7,50. Na semana passada, a petroquímica obteve decisão ‌favorável da Justiça para a suspensão por 60 dias da cobrança de dívidas por determinados credores financeiros.

• NATURA ON avançou 5,18%, engatando a oitava alta consecutiva, em uma sequência que teve início após a ação fechar na mínima desde 19 de janeiro. Nessa série, a ação subiu 17,5%. No mês, porém, ainda acumulou declínio de mais de 12%. Investidores seguem atentos ao potencial desfecho do acordo com Advent, bem como cautelosos com a melhora dos resultados ⁠da fabricante de cosméticos sinalizada pela companhia para o segundo semestre do ano.

• ASSAÍ ON recuou 2,89%, em pregão de ajustes, após seis altas seguidas, período em que acumulou um ganho de 17,6%. No setor de varejo alimentar, GRUPO MATEUS ON, que não está no Ibovespa, caiu 4,18% após divulgar que uma controlada recebeu um auto de infração da Receita Federal de R$1,28 bilhão.

• EMBRAER ON subiu 2,08%, confirmando desempenho robusto no mês, com alta de quase 12%. A fabricante de aviões divulgou nesta terça-feira que Praetor 500E, jato da nova geração da empresa, obteve certificação ‌tripla da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), da FAA (sigla em inglês para Administração Federal de Aviação), nos Estados Unidos, e da EASA (sigla para Agência Europeia para a Segurança da Aviação, em inglês), na Europa.

• BANCO DO BRASIL ON caiu 1,73%, tendo como pano de fundo anúncio do Plano Safra 2026/2027 com orçamento de R$525,1 ⁠bilhões para agro empresarial. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também disse nesta terça-feira que o governo apresentará nos próximos dias uma proposta sobre renegociação de dívidas rurais. O BB é o principal operador do Plano e tem enfrentado problemas com a inadimplência no agronegócio.

• ITAÚ UNIBANCO PN perdeu 0,54%,mas confirmou o desempenho positivo no mês, com alta de mais de 6%. No setor, o dia fechou com BRADESCO PN mostrando decréscimo de 0,39%, SANTANDER BRASIL ON recuando 0,07% e BTG PACTUAL UNIT caindo 0,77%.

• PETROBRAS PN cedeu 0,89% e PETROBRAS ON recuou 1,25%, em dia de variações modestas dos preços do petróleo no exterior. O barril sob o contrato Brent fechou em queda de 0,31%. A estatal informou que aprovou um mecanismo que poderá permitir um aumento potencial de 6% do preço médio do gás natural vendido aos distribuidores estaduais a partir de 1º de agosto, ante uma alta de 22% estimada anteriormente.

• VALE ON fechou com decréscimo de 0,32%, mesmo com o avanço dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian fechou a sessão do dia em alta de 0,61%.

• RAÍZEN PN, que não faz parte do Ibovespa, caiu 5%, após reportar prejuízo líquido de R$7,3 bilhões e dívida líquida de R$58,2 bilhões no quarto trimestre da safra 2025/26. O Ebitda ajustado, por sua vez, somou R$2,8 bilhões no quarto trimestre da safra 2025/26, alta de 46% ano a ano. O CEO da companhia disse que os desinvestimentos para reduzir a capacidade de moagem de cana-de-açúcar da Raízen vão continuar.

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