Ibovespa fecha estável com cautela antes de fim de ultimato dos EUA ao Irã
Após passar a maior parte desta terça-feira no vermelho, o Ibovespa encerrou o pregão próximo da estabilidade, em meio ao sentimento de cautela que dominou os mercados globais antes do término do prazo dado pelos Estados Unidos para que o Irã aceite um acordo e reabra o Estreito de Ormuz.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,05%, a 188.258,91 pontos, na máxima do dia, após marcar 185.885,25 na mínima. O volume financeiro somou R$26,4 bilhões.
O presidente dos EUA, Donald Trump, estabeleceu um prazo até às 21h (horário de Brasília) desta terça para que um acordo com o Irã seja alcançado ou, afirmou, "uma civilização inteira vai morrer esta noite". Trump ameaçou destruir todas as pontes e usinas de energia do Irã em quatro horas.
"Esse tipo de fala não apenas assusta, como paralisa o apetite por risco e é exatamente isso que estamos vendo refletido na queda das bolsas ao redor do mundo e, consequentemente, no Ibovespa", disse Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain.
O índice acionário brasileiro passou a maior parte do dia em queda, ficando abaixo dos 187 mil pontos, contudo, o movimento perdeu tração ao longo da tarde.
Mais cedo, duas fontes paquistanesas disseram à Reuters que as negociações entre os EUA e o Irã correm o risco de descarrilar por conta dos ataques de Teerã a instalações industriais da Arábia Saudita.
O Irã prometeu retaliar os aliados dos EUA no Golfo, cujas cidades no deserto ficariam inabitáveis sem energia ou água.
"Esse cenário todo deixa os investidores com pouquíssima possibilidade de manter posições abertas, fazendo com que o mercado suba e desça dentro do intraday sem que ninguém queira ficar posicionado num cenário de incerteza", disse Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing.
DESTAQUES
- MRV&CO ON liderou as perdas do índice, fechando em queda de 9,45%, após a prévia operacional do primeiro trimestre da companhia mostrar que a divisão MRV Incorporação registrou um consumo de caixa de R$24,2 milhões após ajustes.
- SUZANO ON caiu 6,39%, ficando entre as maiores perdas do Ibovespa, em sua terceira queda seguida. Investidores estão atentos a potenciais efeitos de custos nas margens do setor no primeiro trimestre do ano, o UBS BB também citando potencial impacto nos volumes da Suzano por paradas de manutenção. KLABIN UNIT perdeu 3,1%.
- PETROBRAS PN recuou 0,88%, revertendo o ganho do início do dia e se alinhando com o viés negativo do exterior, onde o petróleo Brent encerrou em queda de 0,46%, a US$109,27 por barril.
- VALE ON subiu 0,72%, em linha com os futuros do minério de ferro na China, com o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) fechando em alta de 0,5%.
- ITAÚ UNIBANCO PN recuou 0,07%, enquanto BRADESCO PN subiu 0,66%, BANCO DO BRASIL ON ganhou 0,04% e SANTANDER BRASIL UNIT teve baixa de 0,97%.
- BRASKEM PNA foi o destaque positivo da sessão, disparando 7,26%, devolvendo quase completamente o tombo de 7,59% registrado na segunda-feira. Investidores seguem monitorando possíveis medidas sob avaliação da petroquímica para lidar com o seu endividamento.
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(Edição Alberto Alerigi Jr.)