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Ibovespa avança e acumula alta de mais de 5% em setembro com aval de estrangeiro

30 set 2026 - 17h08
(atualizado às 17h53)
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Resumo
O Ibovespa subiu 1,37%, aos 186.340 pontos, acumulando alta de 5,03% em setembro com forte entrada de capital estrangeiro. O avanço foi impulsionado pelo bom desempenho do setor bancário e por dados da inflação norte-americana abaixo do esperado, que reduziram a pressão sobre os juros nos Estados Unidos. No Brasil, o déficit primário de agosto foi menor que o projetado, embora as incertezas fiscais e o cenário eleitoral ainda mantenham analistas em alerta para a volatilidade nos próximos pregões.

O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira, em pregão marcado por ‌desempenho robusto das ações de bancos e dados de inflação abaixo das expectativas nos Estados Unidos, avançando 5% em setembro com apoio de estrangeiros.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,37%, a 186.340,46 pontos, registrando uma alta de 5,03% no mês e de 8,32% no terceiro trimestre. Em 2026, acumula um ganho de 15,65%.

De acordo com dados da B3, até o dia 28, a bolsa paulista registra uma entrada líquida de estrangeiros de R$9,569 bilhões em setembro, deixando o resultado no ano positivo em quase R$29 bilhões. 

Nesta quarta-feira, ⁠o Ibovespa marcou 187.834,97 pontos na máxima e 183.879,71 pontos na mínima.

Nos EUA, o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla ‌em inglês), subiu 0,3% em agosto, acima do aumento de 0,1% em julho após revisão, mas abaixo do incremento de 0,4% estimado por economistas. Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o índice PCE, medida de inflação preferida do Federal Reserve, subiu 0,2% no ‌mês, ante acréscimo de 0,1% em julho e previsão do mercado de alta de 0,3%.

A ‌pauta norte-americana ainda mostrou uma criação de empregos no setor privado acima das expectativas do mercado e uma revisão para cima ⁠do crescimento do PIB no segundo trimestre.

Em Wall Street, porém, o índice acionário S&P 500 fechou em queda de 0,25%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro norte-americano marcava 5,2997% no final da tarde, de 5,255% na véspera.

Para o especialista em investimentos Marcos Bassani, sócio da AW Capital, a alta do Ibovespa no dia refletiu, principalmente, um ambiente externo mais favorável, com dados de inflação nos EUA ajudando a reduzir a pressão sobre os juros norte-americanos. 

"Ainda assim, considero que o mercado permanece bastante sensível às questões fiscais e ao ‌cenário eleitoral, o que pode manter a volatilidade elevada nos próximos pregões", acrescentou.

Nesta quarta-feira, dados do Banco Central mostraram que a dívida pública bruta do ‌país como proporção do PIB fechou agosto ⁠em 82,9%, contra 82,6% em julho, ⁠embora abaixo do esperado por economistas (83%). O setor público consolidado registrou um déficit primário de R$10,012 bilhões no mês passado, mas menor do que a ⁠expectativa de um saldo negativo de R$15,7 bilhões.

De acordo com economistas do JPMorgan, o ‌déficit primário de agosto veio menor do ‌que o esperado, impulsionado pelos superávits dos governos regionais e das estatais. Eles destacaram que os pagamentos de juros e os indicadores de dívida atingiram novos recordes, com a dívida líquida no maior nível da série histórica.

"A execução fiscal continua volátil, enquanto as atenções permanecem voltadas para as promessas fiscais ligadas à campanha eleitoral. Novas promessas de gastos e medidas relacionadas aos combustíveis aumentam ⁠as incertezas em torno do Orçamento de 2027", acrescentaram em relatório a clientes.

DESTAQUES

• ITAÚ UNIBANCO PN saltou 4,68%, em sessão positiva para o setor, com BRADESCO PN fechando em alta de 4,11%, BANCO DO BRASIL ON encerrando com elevação de 4,67% e BTG PACTUAL UNIT avançando 1,99%. SANTANDER BRASIL UNIT foi exceção entre os bancos do Ibovespa, com declínio de 2,77%. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que a nova fase do programa Desenrola envolverá a ‌compra pelo governo junto aos bancos de até R$157 bilhões em dívidas de até R$10 mil para que as pessoas tenham esses débitos quitados e possam recomeçar.

• PETROBRAS PN fechou com variação positiva de 0,04% e PETROBRAS ON cedeu 0,35%, descolada do movimento dos ⁠preços do petróleo no mercado internacional, onde o barril do Brent fechou em alta de 0,92%, a US$103,53. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) deu mais um passo em direção à implementação do programa de "gas release", iniciativa do governo que visa reduzir a concentração do mercado brasileiro de gás natural e a predominância da Petrobras no setor, indicaram discussões sobre o tema nesta terça-feira.

• VALE ON terminou negociada em alta de 0,43%, em dia positivo também para papéis de mineradoras no exterior. Na China, contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian subiu 0,14%. Analistas do JPMorgan atualizaram modelos para a companhia e elevaram o preço-alvo para R$114 ante R$109, com manutenção da recomendação "overweight".

• CSN ON subiu 6,85%, em pregão de correção, após tombo de quase 10% na véspera. Investidores seguem especulando sobre o plano de desinvestimentos do grupo, principalmente a venda da divisão de cimento. No setor, GERDAU PN fechou com acréscimo de 0,29% e USIMINAS PNA registrou elevação de 0,86%.

• MAGAZINE LUIZA ON saltou 12,52%, em sessão positiva para ações sensíveis a juros. O amplo índice de consumo da B3 subiu 2,26%.

• TOTVS ON recuou 3,49%, retomando o viés negativo, após a trégua na véspera, quando subiu quase 2% e interrompeu uma série de quatro quedas.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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