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Houthis do Iêmen avançam até 80 km de Aden, segundo fontes

2 nov 2026 - 12h30
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Resumo
Rebeldes houthis avançaram até 80 km de Aden, sede provisória do governo do Iêmen, na maior aproximação desde 2015. A ofensiva rompe a trégua de 2022 e intensifica o conflito com a Arábia Saudita. O grupo assumiu o distrito de Al-Maqatirah e ameaça a rota que liga Aden a Taiz, cidade sitiada onde o cerco já deslocou mais de 100 mil pessoas e gera escassez severa. A investida também amplia o controle houthi no Mar Vermelho, ameaçando o Estreito de Bab el-Mandeb e o tráfego marítimo mundial.

Os houthis do Iêmen, alinhados com o Irã, avançaram até ‌ficarem a 80 km de Aden, principal reduto e capital provisória do governo internacionalmente reconhecido do país, segundo informaram quatro fontes militares à Reuters nesta segunda-feira.

O avanço aproxima os houthis de Aden mais do que em qualquer outro momento desde os primeiros meses da guerra em 2015, quando eles entraram brevemente na cidade antes de serem expulsos.

A mais recente ofensiva abriu uma nova ⁠e instável frente na guerra mais ampla dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, ‌envolvendo tanto os houthis quanto a Arábia Saudita mais profundamente no conflito regional.

Os houthis intensificaram seus ataques à Arábia Saudita, que apoia o governo do Iêmen, enquanto a coalizão liderada ‌pela Arábia Saudita respondeu intensificando os ataques às posições houthis ‌no Iêmen.

A violência rompeu um acordo de trégua de 2022 mediado pela ONU, ⁠que havia praticamente interrompido os principais ataques em uma guerra que começou em 2014, quando os houthis expulsaram o governo de Sanaa.

AVANÇO AMEAÇA ROTA PRINCIPAL

O avanço dos houthis ameaça posições estratégicas ao longo da estrada principal que liga Aden à cidade sitiada de Taiz, uma artéria vital para o sudoeste do Iêmen.

Isso ocorre após uma ofensiva mais ampla iniciada em setembro, quando os ‌houthis avançaram pela costa do Mar Vermelho do Iêmen e tomaram território ao longo do Estreito ‌de Bab el-Mandeb, uma das ⁠rotas marítimas mais importantes ⁠do mundo e uma via fundamental para as exportações de petróleo sauditas para a Ásia.

O avanço dá aos ⁠houthis a chance de flanquear as forças governamentais ‌ao longo da cordilheira com vista ‌para o Estreito de Bab el-Mandeb, segundo fontes militares. As tropas governamentais haviam expulsado combatentes houthis da área há apenas algumas semanas.

Os ataques houthis a Aden, capital provisória do governo desde 2015, também se intensificaram nas últimas semanas. O grupo atacou o aeroporto ⁠de Aden na quarta-feira após alertar a população para que evacuasse a área, enquanto o palácio presidencial também foi atingido em outubro.

CONFRONTOS EM ANDAMENTO NA SEGUNDA-FEIRA

Combates entre os houthis e as forças governamentais estavam em andamento nesta segunda-feira em um acampamento militar na entrada do distrito de Tur al-Bahah, uma das principais vias ‌de acesso a Aden. O acampamento fica a cerca de 50 km da capital provincial de Lahj e a 80 km de Aden.

Os houthis lançaram seu ataque contra posições do governo ⁠em Al-Maqatirah há três dias e, desde então, tomaram todo o distrito, segundo as fontes. A área montanhosa domina a estrada que liga Taiz a Aden. Os houthis forçaram as tropas do governo a recuar em direção a Tur al-Bahah, afirmaram.

O ministro da Informação do Iêmen não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

O representante houthi Hamid Rizq postou um vídeo — que a Reuters não conseguiu verificar imediatamente — do que ele afirmou serem combatentes do grupo entrando em Souq al-Rabouh, no distrito de Maqatirah.

Essa rota tem sido a última ligação remanescente entre o território controlado pelo governo e Taiz durante a guerra.

Taiz, a terceira maior cidade do Iêmen, está cercada desde o início de outubro, quando os houthis cortaram sua principal estrada em direção ao sul, para Aden. O cerco já deslocou mais de 100 mil pessoas e causou escassez de alimentos, combustível e medicamentos.

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