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Guerra do Irã apaga melhora do crescimento global e alimenta a inflação, diz OCDE

26 mar 2026 - 07h15
(atualizado às 07h43)
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O conflito no Oriente Médio tirou a economia global de ‌uma trajetória de crescimento mais forte, alertou a OCDE nesta quinta-feira, já que a quase paralisação dos embarques de petróleo pelo Estreito de Ormuz ameaça elevar a inflação de forma acentuada.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, sediada em Paris, afirmou que a economia global estava no caminho de um crescimento mais forte do que o esperado antes do início da guerra contra o Irã, mas essa perspectiva praticamente desapareceu.

A ⁠projeção agora é de que o crescimento do PIB global diminua de 3,3% no ano passado para 2,9% ‌em 2026, antes de subir para 3,0% em 2027, uma vez que um aumento no preço da energia e a natureza imprevisível do conflito compensam o forte investimento relacionado à tecnologia, taxas tarifárias efetivas mais ‌baixas e o impulso herdado de 2025.

As projeções em seu relatório ‌Perspectiva Econômica interino estão condicionadas a um pressuposto técnico de que os problemas do mercado de ⁠energia irão se moderar ao longo do tempo, com os preços do petróleo, do gás e dos fertilizantes diminuindo gradualmente a partir de meados de 2026.

A projeção para 2026 não sofreu alterações em relação à previsão de dezembro da OCDE, mas indicações preliminares desde então sugeriam que o crescimento do PIB global poderia ter sido revisado para cima em cerca de 0,3 ponto percentual para 2026 se o conflito não tivesse se ‌agravado - uma revisão que foi totalmente apagada pelo impacto dos combates.

Para o Brasil, a OCDE reduziu as projeções ‌de crescimento respectivamente em 0,2 e ⁠0,1 ponto percentual para 2026 ⁠e 2027, a 1,5% e 2,1%.

Com a alta dos preços da energia, a inflação do G20 deverá ser 1,2 ponto ⁠percentual mais alta do que o esperado anteriormente em 2026, ‌a 4,0%, antes de diminuir para ‌2,7% em 2027.

PERSPECTIVAS PARA OS EUA

A guerra agrava um quadro já complexo em relação ao comércio.

As taxas tarifárias bilaterais dos Estados Unidos diminuíram após a decisão da Suprema Corte dos EUA contra as tarifas impostas pela Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, com reduções particularmente grandes para várias ⁠economias de mercados emergentes, incluindo Brasil, China e Índia. No entanto, a taxa efetiva geral dos EUA continua bem acima da que prevalecia antes de 2025.

Em relação às economias individuais, o crescimento anual do PIB nos Estados Unidos deve passar de 2,0% em 2026 para 1,7% em 2027, uma vez que o forte investimento relacionado à IA é gradualmente compensado por uma desaceleração ‌no crescimento da renda real e nos gastos do consumidor. Em dezembro, antes da decisão da Suprema Corte, a OCDE havia feito uma previsão de 1,7% para este ano e 1,9% para 2027.

A projeção ⁠atual é de que a inflação geral dos EUA atinja 4,2% em 2026, um aumento de 1,2 ponto percentual em relação à estimativa anterior.

CAMINHOS DIVERGENTES

Na China, a projeção é de que o crescimento diminua para 4,4% em 2026 e 4,3% em 2027, ambos em linha com as previsões anteriores da OCDE.

O crescimento do PIB da zona do euro deve cair para 0,8% em 2026, uma vez que os preços mais altos da energia pesam sobre a atividade, antes de aumentar para 1,2% em 2027, ajudado pelo aumento dos gastos com defesa. Isso representou um rebaixamento considerável em relação a dezembro, quando a OCDE havia previsto expansão de 1,2% em 2026 e 1,4% em 2027.

No Japão, a projeção de crescimento é de 0,9% em 2026 e 2027 - ambos inalterados, já que o aumento do custo das importações de energia compensa o investimento empresarial robusto.

A OCDE recomendou aos bancos centrais que permaneçam vigilantes e pediu aos governos que garantam que quaisquer medidas de apoio às famílias sejam bem direcionadas e limitadas no tempo.

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