Grupo de credores da Itapemirim vai entrar com ação contra falência da empresa
Decisão da Justiça surpreendeu quem tem dinheiro a receber da companhia; desde o afastamento de Sidnei Piva, em maio, grupo está desde maio sob gestão da consultoria Transconsult
Um grupo de credores estrangeiros da Viação Itapemirim vai entrar com uma ação na Justiça no início da próxima semana contra a falência da empresa, decretada nesta semana pela Justiça. A justificativa é de que causou espanto o momento a decisão, visto que a empresa está desde maio sob uma nova gestão e que não foi dado prazo para uma tentativa de recuperação da empresa, afirma o sócio da gestora Queluz, John Schulz, que representa o grupo que detém dividas da ordem de R$ 90 milhões.
Schulz afirmou ao Estadão, que a consultoria Transconsult estava há pouco tempo como administradora da empresa e vinha preparando uma nova proposta de equacionamento das dívidas, sendo que o juiz nem chegou a convocar uma assembleia. A dívida total da Itapemirim é bilionária, conforme o processo. Considerando apenas o valor devido ao Fisco, o montante supera os R$ 2,8 bilhões.
"Ficamos chocados com a decisão (que decretou a falência). Durante muito tempo, quando a empresa estava nas mãos do Sidnei, que só estava roubando, não foi feito nada", afirma. Segundo ele, está sendo preparada uma ação para contestar a decisão e que deverá ser protocolada já na próxima segunda-feira, 26.
Outro fator que gerou surpresa, segundo Schulz, foi o fato de na mesma decisão da falência, o juiz ter fechado um contrato de arrendamento da massa falida da Itapemirim com a Suzantur, que poderá operar as linhas rodoviárias da empresa por um período de 12 meses.
"Pegaram todos os ativos para alugar para uma empresa que é objeto de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sem escutar os credores", disse. A Suzantur, que atua no segmento de transportes no ABC, Grande São Paulo, a já foi alvo de duas CPIs, mas nenhuma seguiu em frente.
Dívida externa
A dívida externa da Itapemirim tem origem em 2006, quando a empresa rodoviária emitiu um título de dívida no exterior, no valor de US$ 45 milhões, o equivalente hoje a R$ 256 milhões. Ao longo do tempo a dívida foi sendo paga, até a chegada de Sidnei Piva, que interrompeu os pagamentos quando comprou a empresa em 2019 por R$ 1.
Hoje o valor a receber seria da ordem de R$ 90 milhões. No pedido de falência da Itapemirim, enviado à Justiça em julho, o representante da EXM Partners, Eduardo Scarpellini, tinha dito que o o patrimônio da companhia foi "esvaziado" com transferências em benefício de Sidnei Piva.
Justiça decreta falência da Itapemirim: Relembre polêmicas da empresa
Imbróglio incluiu uma malfadada tentativa de lançar uma nova empresa aérea
Entendimento é de que companhia não tem mais condições de se recuperar
Executivo está à frente do negócio desde que comprou a viação por R$ 1
Trata-se, na prática, de apenas mais uma polêmica em um emaranhado de problemas recentes envolvendo a empresa, desde que Piva assumiu o controle. Um dos capítulos dessa novela envolve, até mesmo, o lançamento de uma companhia aérea, mesmo estando no meio de um processo de recuperação judicial.
O negócio ficou no ar somente por cinco meses, entre acusações de atrasos de salário e de outros direitos de trabalhadores. No fim de 2021, pouco antes do Natal, a empresa cancelou subitamente seus voos, deixando milhares de passageiros sem atendimento.
O Estadão procurou o empresário Sidnei Piva e aguarda um posicionamento.