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Governo Lula prepara carta para pedir retomada de negociações tarifárias a Trump; leia bastidor

Documento será assinado por Geraldo Alckmin e Mauro Vieira e repete o pedido de respeito ao princípio da separação de poderes no Brasil

15 jul 2025 - 12h57
(atualizado às 13h36)
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BRASÍLIA - O governo Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma carta a ser enviada ao governo do presidente americano Donald Trump para solicitar a retomada das negociações tarifárias. O documento será assinado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores).

Alckmin e Vieira vão reforçar ao governo dos Estados Unidos o teor da reposta de Lula a Trump na semana passada, quando o presidente brasileiro citou o princípio da separação de poderes e o principal argumento econômico do País: o histórico superávit americano na balança comercial com o Brasil.

Carta a ser enviada ao governo americano será assinada por Geraldo Alckmin (foto) e Mauro Vieira
Carta a ser enviada ao governo americano será assinada por Geraldo Alckmin (foto) e Mauro Vieira
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

O vice-presidente e o chanceler vão sugerir a retomada do diálogo e das rodadas técnicas de negociação bilateral, segundo integrantes do governo brasileiro familiarizados com o teor do documento. Não há uma data específica proposta.

Quando autorizada pelo Palácio do Planalto, a carta deve ser remetida por meio da embaixada brasileira aos negociadores em Washington: o Departamento de Comércio, chefiado por Howard Lutnick, e o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), do embaixador Jamieson Greer. Ambos participaram da primeira videoconferência de negociação em âmbito técnico e político entre os dois governos, em março.

Em 16 de maio, relatou Alckmin, o governo brasileiro enviou, de forma confidencial, uma proposta de negociação que ficou sem resposta até agora. A nova carta também vai cobrar um retorno dos americanos sobre a sugestão de acordo.

Segundo registros do Itamaraty, a última conversa em âmbito técnico com diplomatas e servidores das áreas de comércio exterior ocorreu na sexta-feira, 4, cinco dias antes de Trump anunciar sua decisão de taxar toda a pauta exportadora brasileira em 50%, com efeito a partir de 1º de agosto.

O setor industrial considera o período curto e pressiona o governo brasileiro a pedir que seja postergado por 90 dias ou até o fim de agosto. Depois de se reunir com executivos de empresas e associações, Alckmin disse que o governo vai "trabalhar para tentar avançar ao máximo nesse prazo".

O governo brasileiro foi informado que a decisão de Trump, tomada na Casa Branca, pegou de surpresa o USTR e o Departamento de Comércio, segundo alegaram diplomatas americanos ao Itamaraty.

Além disso, negociadores brasileiros consideram que o patamar de tarifas de 50% já inviabiliza grande parte da exportação brasileira - como aeronaves e suco de laranja - e que qualquer número acima disso, como ameaça Trump caso o Brasil revide, fará pouca diferença.

Nos primeiros seis meses de 2025, o superávit dos EUA é US$ de 1,6 bilhão, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Em 2024, o saldo positivo dos americanos foi de US$ 284 milhões.

"As estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de US$ 410 bilhões ao longo dos últimos 15 anos", argumentou Lula, ao reagir a Trump e ameaçar retaliação com base na Lei de Reciprocidade Econômica.

Estadão
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